floquinhos

segunda-feira, 22 de março de 2010

No Dia da Água...


Hoje o calendário assinala o Dia da Água e a imprensa mundial - escrita, falada, televisiva, abre amplo espaço para esse tema, numa tentativa de conscientização e mudanças nos hábitos de todos nós com relação a utilização desse líquido tão precioso.
O "Em Prosa e Verso" solidariza-se com essa campanha e apoia a luta que vem sendo desenvolvida em prol da divulgação dos novos conceitos que devem ser adotados urgentemente por todos nós para que as futuras gerações - e não tão futuras assim - não enfrentem problemas insolúveis com a escassez de água no planeta.

O excelente blog "Crônicas do Rochedo" traz hoje uma interessante abordagem sobre esse tema. Vale a pena conferir.

Quando a alma acorda criança...

("Roda" - Milton da Costa)

Hoje minha alma acordou criança, com vontade de correr pelos bosques, procurar trevos de quatro folhas no jardim, ir à matinée de um antigo cinema de bairro, brincar de roda, pular amarelinha, rir de tudo e por nada, ouvir histórias da Carochinha, mergulhar em lindos contos de fadas...
Ainda entre os lençóis percebo essa rebeldia inútil, mas tão gostosa de se sentir, fecho meus olhos e deixo que ela se vá pelo tempo em busca de momentos não vividos, que visite as ruas de minha infância, que mate saudades de gente querida que ficou perdida no tempo, que reencontre sonhos de menina-moça, seus primeiros desencantos, seu primeiro amor... E nesse reencontro ela se aquieta, já não pula amarelinha, não brinca de roda, não pula corda... Apenas sonha. Sonha e espera um olhar que, sabe, nunca virá, um sorriso que não acalentará, um toque que não sentirá... Ainda assim, ela sonha. Sonha e, romanticamente retorna ao seu ninho, força-me a abrir a janela e deixar que o sol entre pelo quarto a dentro, entre em cada um dos poros de meu corpo e cheguem até ela, trazendo a alegria de uma manhã de outono...
Hoje minha alma acordou moleca, caminhou pela vida, aqueceu-se nos raios de um sol que anuncia vida... Bom dia, vida...

domingo, 21 de março de 2010

O Outono de Mario Quintana


CANÇÃO DE OUTONO*

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...

Partir, ó alma, que dizes?
Colhe as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!

sábado, 20 de março de 2010

Chegamos ao outono...

(Tão lindo o outono no hemisfério norte...)

As folhas do outono

Ah, as cores do outono... O castanho, o dourado, o vinho, um verde esbranquiçado, outra ainda quase chegando ao branco... Cores amenas lembrando bem as cores que nos envolvem a alma no outono de nossas vidas... Cores suaves, doces, lembrando tranqüilos entardeceres, lembrando amenos amanheceres, lembrando uma paz que deveria sempre existir, mas que as vezes é quebrada por um encarnado que já até havíamos esquecido existir. Assim, do nada, descobrimos uma folhinha num tom vermelho vivo, reluzente, teimosa, que se agarra ao galho de sua árvore, lutando para não cair, para não ser levada pelos fortes e gelados ventos de fim de outono...

E, descoberta, essa folhinha traz um doce alento ao coração. Mas é preciso cuidados redobrados para com ela, é preciso envolvê-la em muito carinho, cobri-la de ternura, para que seu tempo seja um pouquinho mais longo, porque ao cair, vencida pela realidade da estação, vai deixar em seu lugar um vazio ainda maior do que aquele que ficara com a queda gradual das outras folhas...

Mas lá no solo, entre as outras folhinhas, às quais irá se misturar pela ação do vento, toda prosa, passará os dias falando de como foi amada, de como foi cuidada, e de como está sendo chorada a sua ausência...

Ah!... A beleza das cores do outono que em folhas caídas palmilham os caminhos... Ah!... A beleza de um doce caminhar sobre as folhas do outono da vida...

(Hoje, 20 de março, começa o outono aqui no hemisfério sul)


sexta-feira, 19 de março de 2010

Asa feita de canto e poesia...


A terceira asa

Trago uma esperança nova.
Tão nova como a primeira
luz que marca o amanhecer
na vida de cada homem.

Trago a sabedoria
das cores que dançam no ar,
mas que se reúnem,
cada qual no seu lugar,
quando é preciso fazer um arco-íris.

Trago a lição interminável
que dois amantes ensinam
quando se abraçam luminosos
para inventar o amor.

Trago o milagre da vida
que lateja neste instante
no coração de uma criança
que acaba de nascer.

Chego no rastro de um pássaro
que atravessa a luz atlântica
com sua terceira asa
feita de canto e poesia
que rasga no tempo o rumo
estrelado da utopia.

O pássaro chega entregando
com seu poder de canção
a certeza de um futuro
que está começando agora
na aurora da tua fronte,
na palma da tua mão.

(Thiago de Mello)

Homenagem aos pais...


Em Portugal, comemora-se hoje o Dia do Pai.

Aos amigos, leitores e visitantes do Em Prosa e Verso, d'além-mar, que são pais, os meus parabéns pela data e meu abraço de carinho e amizade.
Um Feliz Dia do Pai para cada um de vocês

E num dia como este, não posso deixar de lembrar com carinho e imensa saudade dos dois homens que foram porto seguro em minha vida, e de quem sinto tanta falta: meu pai e o pai de meus filhos...
Envolvo suas lembranças em minha ternura, em meu amor, em minha saudade

quinta-feira, 18 de março de 2010

Hoje, a tarde é de Vinícius...


Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras do véu da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora.

(Vinicius de Moraes)