floquinhos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Num passeio pelos blogs


Como o faço quase que diariamente, visitei todos os blogs amigos, fui lendo o que seus autores nos deixam por lá, uma imensa variedade de assuntos e temas, uns leves, outros um pouco mais carregados nas tintas, e por falar em tintas, uma delicia visitar os espaços que se dedicam às artes ou ao artesanato, de que gosto tanto.
E fui passeando pelos espaços, passando de um para outro, deixando um comentário aqui, outro ali e saio desse passeio de alma lavada, pelo tanto que apreendi de cada um deles. Encantada fico me perguntando como alguns podem escrever tão bem, com clareza e força, com delicadeza, com ternura, com agudez ou lucidez, cada qual a seu modo e ver que, em prosa ou verso, vão deixando lições de vida, retalhos do cotidiano, pedaços de sonhos, anseios, dúvidas, certezas ou incertezas, vão narrando fatos históricos ou histórias de suas vidas, vão falando de amor ou de dor, vão confidenciando seus desencantos
E tudo isso apresenta-se diante de nós, como se os blogs fossem uma pequena vitrine do mundo.
E fico a cada dia mais feliz em poder compartilhar de tudo isso, em poder fazer parte desse universo meio mágico que entra pela telinha aqui a minha frente e se aloja em meu coração...


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pensamento...


"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

(Clarice Lispector)

Lembranças de Natal


Não sei bem porque, hoje acordei pensando nos Natais de antigamente, os de minha infância, passados lá no velho casarão. Não havia todas essas luzes, tantas cores, tudo era muito simples, como simples eram as coisas no meu "antigamente"... Houve tempo em que nem tínhamos uma árvore de Natal... E pouco a pouco as imagens foram se formando em torno de mim, trazendo um pouco mais de magia ao meu dia.

Os Natais de minha infância eram felizes, apesar das dificuldades. E é com saudade que me lembro da nossa maratona nas tardes do dia 24 de dezembro, quando saíamos em busca de capim para alimentar as renas do Papai Noel. Sim, porque elas estavam famintas e cansadas de tanto rodar pelo mundo, e tinham sede também; então fazíamos uma roda com o capim e dentro dessa roda colocávamos uma vasilha com água e ao lado nossa cartinha escrita com letrinhas inseguras, onde contávamos como fôramos obedientes durante o ano e por isso mesmo gostaríamos muito de ganhar este ou aquele presente, presente esse que já fora discutido antecipadamente e acordado por nossos pais, dependendo da disponibilidade financeira do momento. Íamos para a cama cedo, querendo que a noite passasse depressa e mal o dia clareasse, lá estávamos nós, pulando de alegria, diante dos pequenos pacotes que nos tinham sido deixados ao lado da vasilha de água agora vazia e dos restos do capim que saciara a fome das renas. Constatávamos felizes que as reninhas tinham apreciado o capim e que Papai Noel ficara contente com nossos cuidados para com seus animais... e corríamos a abrir os presentes, num alarido que despertava os adultos que vinham, felizes com nossa alegria, desejar-nos um Feliz Natal! Eram simples, singelos, felizes os dias de Natal de minha infância...

Cecília Meireles nesta manhã de dezembro

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Neste mês de dezembro...


Há dias em que a cabeça parece estar vazia, os pensamentos quedam-se quietinhos, falando baixinho, de si para si, lá num cantinho da alma, como se não quisessem que eu os ouvisse e os repreendesse, porque são um tantinho malucos... A casa tem um ar de saudade, ou de nostalgia, como preferir, e nem o sol que brilha lá fora consegue iluminar o dia.
Talvez a dualidade que se faz em mim com a aproximação do Natal, talvez esse estar mais só num tempo que era nosso, talvez (e nem eu mesma quero admitir isso) o Natal tenha perdido seu brilho com a sua ausência.
Enfeito a casa, monto a árvore, a mesma árvore que compramos juntos num distante tempo como este em que tudo era luz na minha vida. E cada bola, cada sino, cada laço tem uma lembrança, e as que comprei depois, sozinha, não têm o mesmo brilho. Falta seu toque. Coloco o lindo anjo ao lado da árvore e penso que você não o viu, como não viu a Sagrada Família que deixo sobre um pequeno aparador no hall do elevador, para saudar e abençoar quem chegue por aqui. E também não viu a lareira toda enfeitada, exatamente como você gostaria, mas sobre o piano, na tela de um quadro que reproduz a doçura do seu olhar, você sorri, parecendo aprovar esta minha disposição de manter as tradições que cultivamos durante tantos anos.
No terraço, as luzinhas piscantes que iluminam a noite, na janela as velas tremeluzentes que indicam que nesta casa existe paz, cultiva-se o amor e vive-se o espírito de Natal. E sob a árvore coloco já alguns presentes, e se você ainda estivesse comigo o seu certamente já estaria lá, despertando sua curiosidade, tentando adivinhar o que eu teria escolhido desta vez...
Mas você já não está e eu tenho que seguir em frente, como era seu desejo, tenho que tentar ser feliz, como você me fez prometer que seria, tenho que oferecer aos nosso filhos e netos a alegria que sempre encontraram em nós neste mês de Natal... Neste mês que marca seu aniversário de nascimento e de partida, neste mês que escolhemos para nosso casamento, neste mês que eu ainda amo, por tudo e apesar de tudo...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Há os que enxergam mais longe...


"Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma catedral."

(Antoine de Saint Exupéry)

Florbela Espanca - Meus poetas do coração

O meu impossível

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...