
(Retalhos de minha vida)
A semana já vai ao meio, o mês aproxima-se do fim... Ah, a implacável passagem do tempo, esse tempo que parece acelerar seu caminhar... E aqui sentada, entre fotos que tento transpor para meus arquivos, essa sensação de fuga do tempo é ainda maior... São fotos antigas, em branco e preto, trazendo de volta ao meu coração um tempo de alegrias e despreocupação bem ao jeito das meninas de outrora, das meninas que brincavam de roda, que pulavam amarelinha, caracol, que passavam anéis, que corriam pelas ruas do velho bairro... Fotos de uma jovenzinha que nem tinha grandes sonhos, mas que sabia sonhar o suficiente para enternecer sua alma... E com as fotos, as lembranças, as presenças, as saudades. E as imagens das fotos tomam corpo e inundam minha manhã... Minhas doces amigas vêm fazer-me companhia e falamos sobre nossas vidas. De algumas sei o destino, de outras o destino me separou. Lembrando esses caminhos tão doces de nossa meninice, de nossa juventude, rimos e choramos. Aqui nesta foto a Neyde sorri, sem imaginar o quão cedo esse sorriso se apagaria. Nesta outra, com a Zizinha sentadas sobre a relva do parque, vestidos lindos de domingo... Ah, aqui estão a Ruth e a Zeza num desfile escolar de Sete de Setembro... Minha irmã, já mocinha, tão linda nesta foto!
Esta era eu? Menina meio gordinha, meio desajeitada, tímida, sonhadora desde então, menina que ao transpor a adolescência viu um dia, encantada, sua imagem refletir-se esbelta no espelho de seu quarto, quase sem acreditar na mudança, menina que foi pouco a pouco se tornando mulher, mulher que enfrentou a vida, caminhou por ela e envelhece hoje senhora de si, serenamente, com a sensação de que foi um caminhar nem sempre sereno e doce, mas muito compensador.
E continuo aqui, entre as fotos, entre as presenças amigas, entre as lembranças, mergulhada numa doce saudade, enquanto lá fora o sol se espalha pela manhã desta quarta-feira, já quase no final deste primeiro mês deste novo ano...


