floquinhos

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Momentos que o tempo guardou...

(Retalhos de minha vida)

A semana já vai ao meio, o mês aproxima-se do fim... Ah, a implacável passagem do tempo, esse tempo que parece acelerar seu caminhar... E aqui sentada, entre fotos que tento transpor para meus arquivos, essa sensação de fuga do tempo é ainda maior... São fotos antigas, em branco e preto, trazendo de volta ao meu coração um tempo de alegrias e despreocupação bem ao jeito das meninas de outrora, das meninas que brincavam de roda, que pulavam amarelinha, caracol, que passavam anéis, que corriam pelas ruas do velho bairro... Fotos de uma jovenzinha que nem tinha grandes sonhos, mas que sabia sonhar o suficiente para enternecer sua alma... E com as fotos, as lembranças, as presenças, as saudades. E as imagens das fotos tomam corpo e inundam minha manhã... Minhas doces amigas vêm fazer-me companhia e falamos sobre nossas vidas. De algumas sei o destino, de outras o destino me separou. Lembrando esses caminhos tão doces de nossa meninice, de nossa juventude, rimos e choramos. Aqui nesta foto a Neyde sorri, sem imaginar o quão cedo esse sorriso se apagaria. Nesta outra, com a Zizinha sentadas sobre a relva do parque, vestidos lindos de domingo... Ah, aqui estão a Ruth e a Zeza num desfile escolar de Sete de Setembro... Minha irmã, já mocinha, tão linda nesta foto!
Esta era eu? Menina meio gordinha, meio desajeitada, tímida, sonhadora desde então, menina que ao transpor a adolescência viu um dia, encantada, sua imagem refletir-se esbelta no espelho de seu quarto, quase sem acreditar na mudança, menina que foi pouco a pouco se tornando mulher, mulher que enfrentou a vida, caminhou por ela e envelhece hoje senhora de si, serenamente, com a sensação de que foi um caminhar nem sempre sereno e doce, mas muito compensador.
E continuo aqui, entre as fotos, entre as presenças amigas, entre as lembranças, mergulhada numa doce saudade, enquanto lá fora o sol se espalha pela manhã desta quarta-feira, já quase no final deste primeiro mês deste novo ano...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A blogosfera está em festa,,,

Lili Laranjo, sensivel poetiva, responsável pelo lindo site "Africa em Poesia", comemora hoje mais um aniversário e, como não poderia deixr de ser, o "Em Prosa e Verso" festeja junto essa data tão especial e deixa aqui nossos melhores votos de felicidades a essa gentil amiga.
Parabéns, Lili! Que seu dia seja lindo, iluminado pelo amor de seus amores, pela presença dos amigos mais queridos...

FELIZ ANIVERSARIO!

Há momentos...


"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."

(Clarice Lispectoe"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A semana começa com Cecília Meireles...


A DOCE CANÇÃO

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade - e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria
de minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto,
Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
- todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente
meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o aumente,
para trazer o Universo
de pólo a pólo contente!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Na saudade, uma quase perfeição...

(Imagem Google)

PRESENÇA

(Mario Quintana)

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso também que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso saudade para eu te sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho que fechar os olhos para ver-te!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Simplesmente Vinicius

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Drummond - Um pensamento


"Ah o amor ... que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque..."