floquinhos

sexta-feira, 3 de abril de 2009

UM PENSAMENTO SUTIL...


(La Rochefoucauld)

"Dificilmente encontramos pessoas de bom senso a não ser aqueles que concordam conosco."



(Adoro esse pensamento... é tão verdadeiro... rs...)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

CRONICAS DE MINHA INFANCIA (21)

ROSA DA ENCARNAÇAO

Sempre que se fala em chegada da televisão ao Brasil, sempre que se comenta sobre como os primeiros aparelhos despertaram a curiosidade de todos e em como quem não dispunha de meios para a compra do seu, muitas vezes ia às casas vizinhas (eram os tele-vizinhos) ou à casa de parentes, para assistir um ou outro programa de maior sucesso, é uma de minhas tias, a irmã mais nova de meu pai que me vem à mente.
Eu era adolescente e teatro, para nós das classes menos privilegiadas, era apenas mais um sonho... O máximo que conseguíamos era ir uma vez por semana ao cinema do bairro, e muitos de nós, nem isso. Por essa época a TV Tupi – a primeira estação de televisão da América Latina – costumava levar ao ar, nas noites de Segunda-feira, o Tele-Teatro Tupi, a TV de Vanguarda. Peças consagradas interpretadas pelos mais famosos atores de nosso teatro eram levadas ao vivo já que o vídeo-tape só surgiria muito tempo depois. Foi quando vi por primeira vez “Casa de Bonecas” e “A Morte do Caixeiro Viajante” entre tantas outras obras mundialmente famosas. E esse era um programa que encantava meu pai. Só que, como não tínhamos, àquela época, condições financeiras para comprar um aparelho de TV, então, a convite de minha tia, vez por outra íamos assistir em sua casa o tele-teatro. Eram momentos de emoção ver Sérgio Cardoso, Cacilda Becker, Eva Todor. José Parisi, e tantos e tantos outros maravilhosos astros vivendo personagens inesquecíveis.
Lembro-me, além do teatro, do cafezinho encorpado, cheiroso, delicioso que nos era servido no primeiro intervalo entre um ato e outro. Mas minha mais doce lembrança é a da figura singela, bonita, suave de minha tia, ainda hoje em seus oitenta anos e apesar de quase cega, uma doce mulher. Foi sempre uma mulher lutadora que criou seus cinco filhos com muita garra, sofrendo as agruras de um casamento desencontrado, mas que nunca se perdeu de si mesma. Seus miúdos olhos castanhos são de uma doçura sem par e sua voz terna, suave, é um acalanto... Muito linda quando jovem, traz ainda traços dessa beleza em seu rosto já marcado pelo tempo e conserva ainda em sua alma todo o amor que sempre espalhou em torno de si. Fascina-me sua figura, fascina-me seu nome: Rosa da Encarnação! Já nascida no Brasil, recebeu um nome tipicamente português, escolhido muito provavelmente para homenagear algum parente que por terras de além mar ficara, nome que em família foi abreviado, como sempre acontece – por mais lindos e pomposos que sejam os nomes que os pais escolhem para seus filhos, sempre são abreviados – passando a ser pura e simplesmente a Encarnação, ou ainda, para suas irmãs, a Carná.
Pois minha doce tia Encarnação é também minha madrinha de crisma e muito me orgulho disso. Madrinha melhor, nem mais doce, jamais poderia ser encontrada. Embora a vida tenha nos colocado sempre distantes uma da outra, apesar de não morarmos fisicamente longe, vejo-a muito raramente. Impedida pela diminuição da visão de sair de casa, o que só faz por muita insistência de seus familiares, vive cercada pelo carinho dos filhos e dos netos que têm sido a recompensa de anos sofridos, transformados agora em um entardecer sereno, pleno de paz. Mas, sempre que falamos ao telefone, aquela doce vozinha chega com sons de sorriso, de ternura, hoje, como na minha infância, pondo paz em meu coração, ao dizer: “Oi Doçura, que saudades!...” Saudades tenho eu, minha doce madrinha, saudades dos tempos em que, pequenina, me abrigava em seus braços, me deixava levar pelo seu carinho, sem sequer me dar conta de quanto sua presença seria importante ao longo de minha vida, como exemplo de abnegação e bondade.

(Do livro "Encontro com a menina que eu fui")

COMPLETANDO UMA POSTAGEM ANTERIOR


Faz alguns dias, postei este
texto ilustrado por uma linda foto
.
Na verdade, o texto foi inspirado no momento em que vi essa foto tirada por Maria Emília, do Blog "Tal Qual Sou". E, claro, para usar a foto, ainda que houvesse no proprio site a permissão da autora para uso, deixei um recado em seu blog, como um pedido de licença. Hoje, gentilmente, ela deixou um recado de volta, que de tão bonito, resolvi postar aqui, como um complemento da postagem anterior, já que explica a foto.

"Na verdade sinto muito orgulho em que tenha escolhido o meu jardim, ao entardecer, face à Serra de Sintra, para abrir a sua alma. Aquela pequena luz que se vê no cimo da Serra é um castelo. Cada vez que o olhamos aparece-nos de forma diferente, conforme a hora do dia ou da noite. Parece um castelo encantado de um conto de fadas.
Os ausentes não se foram embora. Estão ali ao nosso lado. Àquilo que nos parece solidão pode tornar-se num bálsamo para a alma, para o corpo e para o espírito.
É preciso deixar-se envolver pela magia dos contos de fadas.
Espero que a minha foto ajude um pouco."

Um grande beijinho,
Maria Emília

Muito, muito lindo, Maria Emilia!... Muitissimo obrigada!!!

Dulce

UM SELINHO DUPLAMENTE ESPECIAL

Hoje o "Em-prosa-e-verso", duplamente prosa, recebe por segunda vez este selinho, desta vez gentilmente oferecido pela Maria Emília do lindo blog "Tal Qual Sou". Muito obrigada, Maria Emilia!

Junto com o prêmio, a tarefa de cumprir um desafio, cujas regras são as seguintes:

Escrever uma frase, citar um título ou contar uma historia sobre seis assuntos nos seguintes segmentos:
- VIDA, CINEMA, LITERATURA, VIAGEM, AMOR E SEXO;·
Convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininas e inteligentes;·
Linkar o blog que a convidou;·
Postar as regras para que outros as repassem;·
Inserir o selinho que você recebeu.

Então, vamos lá...

VIDA: (a sensibilidade de Fernando Pessoa)

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

CINEMA: Encantamento, magia...

LITERATURA: Mergulhar em outros mundos, outras vidas, outras almas...

VIAGEM: Conhecimento, cultura, entretenimento, puro prazer.

AMOR: A essência da vida. Sem ele a vida perde a cor, a luz, a própria razão de ser

E agora, a esolha dos blogs:

Lourdes - Blog O Açor
Fafi - Blog Diario da Fafi
Anine - Blog Poesia, Expressão da Alma
Fernanda - Blog Fernanda Poemas
Marília - Blog Ainda Podia Ser Pior
Heli - Blog
Chega-Junto (este com a licença do Ney e do Jardeco, a parte masculina do blog, que tenho certeza vão concordar que a Heli bem merece esse prêmio)


quarta-feira, 1 de abril de 2009

CRONICAS DE MINHA INFANCIA (20)

MEU TIO JOAO PIRES

Prendeu minhas pequenas mãos entre as suas, cobriu-me toda com a ternura de seu olhar e, como se tivesse adoçado sua voz com mel disse sorridente:
- Você sabe que lá em casa tem uma marrequinha que se chama Dulce?
- Tem, Tio? De Verdade? Pai, me leva lá pra ver?... Leva?
E ele então riu, feliz com minha admiração. Era uma homenagem que aquele homem de alma límpida, que trazia em si um imenso cabedal de amor, prestava a uma sobrinha que sempre lhe teve muito amor.
Era casado com minha tia Letícia, uma das irmãs de meu pai. E se queriam tanto que ele a chamava de Dona Rosa, minha rosa... Moravam numa casa muito acolhedora, entre árvores e flores, onde, num imenso quintal, criavam patos, galinhas, marrecos, uma coisa linda de se ver, e era uma festa para meu coração quando minha mãe dizia que no domingo iríamos passar o dia na Vila Maria. Ficava contando os dias. E se durante minha infância a alegria era correr pelo quintal ou saborear os deliciosos doces que minha tia preparava, mais tarde, quando moça, o melhor de tudo era sentar e ouvir meu tio falar sobre tantas coisas que ele sabia... Encantavam-me suas histórias, maravilhava-me sua cultura, olhava embevecida para sua biblioteca, tão bem cuidada, onde guardava seus tesouros: seus livros, seus companheiros inseparáveis. Cuidava das roseiras de seu jardim com esmero e quando da floração, colhia o primeiro botão entreaberto e, carinhosamente o ofertava a minha tia dizendo:

"Para D. Rosa, uma rosa,
colhida nesta manhã,
presente despretensioso
de pai e filho à irmã."

E esse delicado ritual repetia-se todos os anos. Tão lindo amor os unia!...
Meu tio, João Pires, ou simplesmente o Seu Pires, como era conhecido, nascera de mãe escrava, em uma fazenda no Município de Capivari e criara-se com o filho do patrão, que lhe permitiu estudos, preciosos para aquela época. Formou-se guarda-livros, profissão que sempre exerceu com competência. Criou seus quatro filhos com amor e viveu sempre cercado de bons e sinceros amigos. Sua espiritualidade era tão aguçada que estarmos com ele era sinônimo de estarmos em paz. Sua presença era doce e, no entanto marcante. Quando seu corpo físico nos deixou, já tinha mais de 80 maravilhosos anos vividos. Mas entre nós ainda permanece sua lembrança, décadas após sua partida. Ainda trago em meus ouvidos o som terno de sua voz contando historias e casos, trago ainda no fundo de minha retina a figura amiga, o olhar meigo, o sorriso calmo.
Há pessoas que não partem, apenas se transformam em lembranças, em saudades, deixando um exemplo de vida incontestável, um rastro de luz que vai sempre e sempre iluminando nossos caminhos.
Assim foi meu “Tio João Pires”...

(Do livro "Encontro com a menina que eu fui")

SONHOS... QUEM DEFINE?



FERNANDO PESSOA

"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."


UM PENSAMENTO... (6)



MARIO QUINTANA


"A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."