floquinhos

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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ah, o espelho...


Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro, 
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobrindo o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo.
O menino que todos os anos na véspera de Natal
Pensa ainda em por seus chinelinhos atrás da porta

(Manuel Bandeira)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Saudade... Saudade...


Cais Vazio

Depois que te foste
sou como um cais vazio.

Faltam bandeiras , faltam apitos , faltam amarras,
Falta o navio.

(J G de Araujo Jorge)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Poesia de Castro Alves

A DUAS FLORES

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

sábado, 14 de novembro de 2009

POESIA NA TARDE - JULIO CORTAZAR


RAYUELA


Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca,
Voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si
Por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta
Cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar,
Hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que
Mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida
Entre todas, con soberana libertad elegida por mí para
Dibujarla con mi mano en tu cara y que por un azar que
No busco comprender coincide exactamente con tu boca
Que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez mas de cerca y
Entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez mas
De cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre si, se
Superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos,
Las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose
Con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes,
Jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene
Con su perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos
Buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad
De tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca
Llena de flores o de peces, de movimientos vivos , de fragancia
Obscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos
En un breve y terrible absorber simultaneo del aliento, esa
Instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo
Sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como
Una luna en el agua.

domingo, 8 de novembro de 2009

A Poesia de Olavo Bilac


Ouvir Estrelas

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado-amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas."

sábado, 7 de novembro de 2009

A poesia de J G de Araujo Jorge


Hoje estou triste

Amor... Hoje estou triste... Nesses dias
a vida de repente se reduz
a um punhado de inúteis fantasias...
... Sou uma procissão só de homens nus...

Olho as mãos, minhas pobres mãos vazias
sem esperas, sem dádivas, sem luz,
que hão de semear vagas melancolias
que ninguém vai colher, mas que compus...

Amor, estou cansado, e amargo, e só...
Estou triste mais triste e pobre do que Jó,
- por que tentar um gesto? E para quê?

Dê-me, por Deus, um trago de esperança...
Fale-me, como se fala a uma criança
do amor, do mar, das aves... de você!