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domingo, 22 de abril de 2012

A chuva, o tédio, a alma...


O domingo chegou enfarruscado, cinzento, molhado, e a alma, hoje, acordou em tédio. Sem saber como estava a vida lá fora, abri a janela na esperança de ver um céu azul, uma cidade preguiçosa, porque é domingo, mas toda banhada de luz. Porque não há tédio que resista a uma linda, ensolarada manhã de domingo... Mas, como já disse, o domingo também era só tédio. Aí lembrei-me de uns versos de Quintana, que dizem:

"No céu é sempre domingo. E a gente não tem outra coisa a fazer senão ouvir os chatos. E lá é ainda pior que aqui, pois se trata dos chatos de todas as épocas do mundo..."


E, diante da irreverência do Poeta, lá se foi o meu tédio, levado pelo vento frio que, entrando pela janela, agitou a cortina suavemente, num gracioso movimento que enfeitou a vida.