floquinhos

sexta-feira, 20 de março de 2009

ENTRAMOS NO OUTONO...

(As cores do outono - em Winchester, MA)

A linda, romântica, elegante estação...

E, enquanto isso e em oposição, o hemisfério norte celebra a entrada da primavera, a alegre, colorida, luxuriante estação do amor. Então este blog está em festa, duplamente, festejando a romántica estação dos frutos no Brasil e festejando a alegre estação das flores com os amigos dos paizes do lado de cima do Equador, que nos visitam por aqui, em especial os de Portugal, amigos queridos, presença constante neste meu cantinho.
Haja cores do outono e flores da primavera em nossos corações...

quinta-feira, 19 de março de 2009

PARA QUANDO O OUTONO CHEGAR...

(Outono no lago, em Winchester, MA)

As águas de março desabando sobre a cidade, prenunciando o fim do verão. Outono batendo a porta, estamos entrando na mais elegante estação do ano. Não teremos por aqui a beleza das paisagens do hemisfério norte, como a da foto, nem o clima tipico dessa época já que nosso país, em matéria de clima, anda completamente perdido. Mas, de qualquer forma, eu amo o outono, tanto no clima como na vida, aonde vou caminhando serenamente, cumprindo meus passos. E festejando a chegada da minha estação predileta vou escolher algumas fotos que tirei lá em Massachusetts, no ano passado para alegrar, enfeitar e tornar este blog um lugar de lindas e suaves cores, num ambiente de serenidade, para receber meus queridos amigos leitores deste meu cantinho do coração.
Mergulhem nas cores do outono, sintam o farfalhar das folhas sob seus pés ao caminhar, encantem-se com o manso cair dessas mesmas folhas... venham tomar um chá comigo apreciando a beleza de um tempo precioso. único... Um passeio virtual, um chá virtual, uma tarde, um encantamento diante da vida, um momento de amizade.

Dulce Costa
No terminar do verão do ano de dois mil e nove.

CRONICAS DE MINHA INFANCIA (7)


SOB TRES BANDEIRAS

Ao receber um e-mail de minha prima, Rosa Maria, que mora na bela Porto Alegre desde o seu casamento, não pude conter minha emoção. Dona de maravilhosa força de expressão, falava sobre o privilégio de termos nascido sob três bandeiras européias representadas naquele velho casarão por meus pais e meus tios, que eram portugueses, a mãe dela, que chamávamos a Tia Cachelo - seu nome de solteira – que era filha de italianos e a Tia Canales – também nome de solteira, que era filha de espanhóis. Nós as chamávamos pelos nomes de solteiras para diferenciar uma Maria da outra, como bem poderiam ser chamadas, ao modo do nordeste, de Maria do Antonio e Maria do João. O fato é que assim eram conhecidas na família. Com relação aos vizinhos, a diferença era mencionada pela nacionalidade. Quando se referiam às mulheres daquela casa diziam sempre: a portuguesa, a espanhola ou a italiana, embora só minha mãe tivesse nascido fora do Brasil.
Lembro-me que quando minha mãe precisava renovar seu estoque de carvão para o fogão, mandava-me até a carvoaria do Seu Francisco, na Rua Caetano Pinto, ele também um espanhol, sempre coberto pelo pó do carvão que vendia, e de tal maneira encarvoeirado andava que de seu rosto só se via o branco dos olhos. Ao chegar, o diálogo era sempre o mesmo:

- Seu Francisco, minha mãe pediu pro senhor levar um saco de carvão na Rua Campos Salles, número 100.
- É pra espanhola, pra portuguesa ou pra italiana?
- Pra portuguesa.
- Em meia hora tô lá.

E estava mesmo. Meia hora depois, lá vinha ele lá do começo da rua empurrando sua carrocinha cheia de sacos de carvão. Parava à frente de nossa casa que, como quase todas as outras mantinha as portas da rua abertas durante o dia todo, batia palmas estrondosamente e gritava para ser ouvido lá do alto da escada:

- Carvoeiiiiiiiirooooo... Oi o carvão pra portugueeeeeesa...

Mas todo o Brás era assim, um cadinho de raças que se iam mesclando umas com as outras, misturando culturas, forjando pessoas maravilhosas em sua simplicidade, em seu modo peculiar de ser, de falar, pessoas que vistas hoje, através do tempo, revelam uma face muito mais bonita, muito mais poética. Era um “povo” barulhento, alegre, extrovertido, que enchia as ruas de vozes logo ao amanhecer, com seu modo cantado de falar, com os pregões dos vendedores, com o alarido das crianças que corriam soltas pelas ruas. Eram visinhos que se conheciam desde sempre e que se consideravam quase parentes, que se respeitavam e se socorriam mutuamente, mas que também, muito de vez em sempre, aprontavam a maior discussão por qualquer “me dá cá aquela palha”...
Eram as brigas de comadres, como se costumava dizer. Parecia que o mundo ia acabar, tal era a fúria e os esganiçados gritos que se espalhavam pelos céus do velho bairro. Mas, como tempestade de verão, passado o calor do momento, voltava a reinar a paz na terra, até a próxima “batalha”, para alegria das outras comadres que tinham motivos para conversa por uns bons pares de dias. As mais facilmente esquecidas eram justamente as mais estrondosas, as travadas entre os italianos, gente de sentimentos fortes, temperamento explosivo, coração ardente em suas paixões, boas ou más, pareciam querer matarem-se uns aos outros e só não se engalfinhavam de fato porque eram contidos pelos outros visinhos que quanto mais tentavam jogar água na fervura, mais viam o vapor subir até que, exaustos, recolhiam-se às suas casas, ainda voltando-se para trás e xingando, ameaçando voltar e recomeçar tudo outra vez. Os mais discretos? A família de japoneses, os donos do armazém que ficava em frente à minha casa. Mas ainda assim, e talvez por morarem no Brás, aonde todos iam assimilando tudo, até eles, de vez em quando, tinham uma ligeira altercação!

Dessa mistura de culturas resultou em mim uma diversidade de gostos maravilhosa, na música, na culinária, na própria forma de encarar a vida, de enxergar o mundo. Tentei assimilar de cada um deles aquilo que sua gente tinha de melhor e o que ficou em mim foi uma sensação de amor à vida, de respeito ao próximo, de solidariedade e uma grande, uma imensa tendência à compreensão da alma humana, com suas fraquezas e suas forças, seus anseios e suas desesperanças, seus devaneios, suas iras, seus amores, seu orgulho, enfim, com tudo aquilo que faz de cada um de nós um ser único neste mundo de Deus.

(Do livro "Encontro com a menina que eu fui")

quarta-feira, 18 de março de 2009

ESQUECER? Quem há de?...



MARIO QUINTANA


"Se me esqueceres, só uma coisa: esquece-me bem devagarinho."


MINHA ALMA...



CLARICE LISPECTOR


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

AMAR... Quem define?



FERNANDO PESSOA


"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

UM PENSAMENTO (3)



FERNANDO PESSOA

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."