floquinhos

domingo, 9 de novembro de 2008

Uma canção de ninar gente grande...


Meu marido, meu menino grande, minha eterna saudade, adorava dormir ao som do Luluby...

Não foi a canção de ninar que minha mãe cantou para me embalar... ela nem a conhecia. Eu dormia ao som do "nana nenem". Mas foi a que eu cantei para embalar meus filhos e depois meus netos, e entre uns e outros, cantarolava as vezes para embalar meu marido, em momentos nossos, quando o sono custasse a vir cerrar-lhe os olhos. A canção que o acalmava em seus momentos de insônia já quando sua saúde piorara, a canção que até hoje, para mim, significa tranquilidade, calma, um momento de paz, o Luluby de Brahms.
Em duas interpretações, dois estilos, mas sempre linda. Clique nos links abaixo para ouvi-la e tente, numa dessas noites brancas, longas, deixar-se embalar por ela, na semi-obscuridade do quarto. Eu sempre sigo essa pequena receita, com bons resultados. Mesmo que não durma (adoro as madrugadas) fico absolutamente em paz.

www.youtube.com/watch?v=t894eGoymio&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=xYbZIzkYRW8&feature=related

sábado, 8 de novembro de 2008

Michael Bublê


Música para se ouvir nas madrugadas insones... Musica para sonhar...
É só clicar no link abaixo e se deixar levar...

www.youtube.com/watch?v=nXQIoh3DzOw

Fernando Pessoa - Fragmentos

Trago dentro de meu coração,
Como num cofre que não se pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(Passagem das horas)


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
A parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(Tabacaria)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Love Letters

Elvis Presley complementa meu momento "memórias"... Lindo demais!...

Love letters straight from your heart
Keep us so near while apart
I'm not alone in the night
When I can have all the love you write

I memorize ev'ry line
And I kiss the name that you sign
And darlin, then I read again right from the start
Love letters straight,from your heart.

I memorize ev'ry line
And I kiss the name that you sign
And darlin, then I read again right from the start
Love letters straight,from your heart.
__________________

Reveja Elvis, ouça a música, no link abaixo

http://www.youtube.com/watch?v=mY5cOL7Fu8I

Cartas de amor

Quem de nós não escreveu uma carta de amor? Pelo menos uma? Eu escrevi, escrevo, tantas... São pedaços da alma que colocamos sobre papel, sobre a tela de nossos computadores, são pedaços de nós mesmos que colocamos aos pés de alguém, são expressões de momento sublimes que vivemos...

Fernando Pessoa dá a exata medida do que possa ser o ato de escrever uma carta de amor...


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Meu momento de poesia - Florbela Espanca


AONDE?...


Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde... aonde... aonde?...

O eco ao pé de mim segreda... desgraçada...
E só a voz do eco, irônica, responde!


Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!

O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda

Cantante como um rio banhado de luar!


Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!

E só a voz do eco à minha voz responde...

Em gritos a chorar, soluço o nome teu

E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:

Aonde estás, amor? Aonde... aonde... aonde?...


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ainda guardo meus sonhos...


Na madrugada, caminho insone pela casa que está envolta em silêncio. A noite foi longa e esta quietude me apraz porque me permite estar comigo mesma... Porque me permite ouvir meus próprios pensamentos, esmiuçar meus mais profundos sentimentos, mergulhar lá no fundo de minh’alma para, ao emergir, trazer comigo sonhos escondidos e desesperançados. E o que seria de nós, pobres e indefesos seres diante de tantas adversidades que a vida nos impõe, se não tivéssemos a capacidade de sonhar? E são tantos e de tão variadas formas os sonhos que trazemos dentro de nós!... Pessoas ambiciosas têm sonhos de riqueza, de poder, megalomaníacos sonhos de dominar o mundo, enquanto que almas simples sonham apenas e simplesmente com a quietude e a paz do próprio coração... mas são, uns como outros, alentos que os ajudam a viver e a preservar seus sentidos, a traçar seus caminhos. E porque seria eu diferente? Sou, como todos, sonhadora. Acho até que a vida exagerou na parte que me coube nessa divisão de sentimentos e me cobriu de uma forte, uma imensa capacidade de amar, escondeu lá no fundinho de meu coração uma fonte inesgotável de carinho e ternura que, por mais que eu distribua, por mais que dela faça presente às pessoas que considere especiais, continua jorrando dentro de mim com tal força que por vezes parece querer explodir dentro do meu peito para poder finalmente ganhar a liberdade porque, como se costuma dizer, carinho demais sufoca, a quem recebe e a quem tem para dar... E antes que tudo isso convulsione ainda mais minha vida, estou partindo minhas amarras e libertando esse excesso de sentimentos que trazia represados dentro de meu peito. Estou redirecionando meus caminhos e meus atos. Estou tentando encontrar a justa medida para cada um de meus passos. Estou colocando meus pés no chão e embalando parte dos meus sonhos mais loucos para guardá-los em um bauzinho dentro de minha alma, escondidinhos bem lá no fundo, de onde ninguém possa alçá-los, onde fiquem protegidos da maldade e da infidelidade, do descaso e da traição, sentimentos tão tristes, que doem muito mais do que golpes de afiados punhais... Guardo meus sonhos loucos, meus desvarios, junto às minhas ânsias incontidas, às minhas grandes frustrações... deixo comigo, como parte de mim mesma, apenas singelos sonhos cabíveis e aconselháveis a quem transita pelo outono da vida e precisa alicerçar seus passos em caminhos mais amenos, menos tumultuados, a quem precisa aquietar um coração que ainda não aprendeu que certos sentimentos trazem muito mais dor do que prazer e mister se faz evita-los. Permanece também comigo, e disso não abro mão, a lembrança do mais louco e mais doce sonho que por anos embalou minha vida, norteou meus passos, fez de mim uma mulher de alma e coração abertos. Um doce sonho que me fez perceber que ainda tinha em mim uma imensa capacidade de amar, envolvendo-me numa maravilhosa sensação de juventude, de plenitude que nem em meus verdes anos conhecera. E como foi louco, como foi audacioso esse sonho!... Em sua insanidade, percorria vales e montanhas, atravessava oceanos, rompia barreiras e convenções, cego e alheio a tudo que se passava ao seu lado, voltado apenas para o objeto de seu carinho, para a alma que finalmente reencontrara, alma perdida na imensidão de tantas vidas... Sonho feito de ternura e transformado em lágrimas de ausência, de esquecimento talvez, em dolorido silêncio... Sonho que me acalenta nas soturnas madrugadas do outono de minha vida...