Como alguns de vocês devem ter percebido, tenho tido um sério problema com publicações estranhas aqui no blog. Avisos de pagamento, número de conta bancária, coisas assim, incabíveis em um blog como este, antigo, dedicado à poesia e à prosa entre amigos. Confesso que não sei como sanar esse mal... Aliás, nem sei por onde começar, mas posso afiançar à vocês que deve tratar-se de vírus, uma armadilha para quem, não entendendo o porque de tal postagem, possa clicar no link. Por isso, peço a todos o favor de ignorar tais postagens.
Agradeço a compreensão e a ajuda de todos vocês e espero poder resolver muito em breve esse problema, ainda que seja fechando este blog, o que me deixaria infinitamente triste, já que ele carrega um bocado da história de minha vida.
Acordou com o barulho do vento que dançava entre os galhos ressequidos do bosque e, imaginando o frio que deveria estar fazendo lá fora, enrodilhou-se entre os lençóis, numa tentativa inútil de voltar a dormir. Era madrugada e ela sempre tivera um quezinho pelas madrugadas quando, a casa em silêncio e a cidade semi adormecida, davam-lhe a falsa sensação de que a paz reinava sobre o mundo, sobre os homens.
Sem conseguir voltar a dormir, saiu da cama e, apanhando o robe que repousava sobre a poltrona, envolvendo-se em seu aconchego, dirigiu-se até a janela. Ao abrir as cortinas deu com a beleza da neve caindo sobre o gramado, iluminada apenas pela fraca luz que vinha do poste de iluminação colocado quase em frente a casa.
E sem saber bem porque, viu-se em outra madrugada insone, diante de uma outra janela, depois de acordada pelo zunir do vento que corria por entre as casas daquela rua antiga, prenunciando uma tempestade de verão. Reviu-se jovem e cheia de sonhos, sem a menor consciência do que a esperava pelas esquinas do tempo, dos longos caminhos que ainda haveria de percorrer até chegar aquele momento.
Naquela outra madrugada, lágrimas escorriam-lhe pelo rosto, lavando-lhe a alma daquela tristeza que lhe parecia sem fim e que, a luz do tempo, demonstrou ser nada mais, nada menos, do que uma tempestade num copo d’água... Ah, as doces paixões da adolescência!... Ah, a primeira paixão, quase sempre não correspondida, quase sempre inesquecível... A imagem dele ainda bailava em sua mente, congelada pelo tempo, numa linda figura de príncipe encantado... Seus olhos castanhos, seu sorriso límpido de quem anda de bem com a vida, sua voz, seus cabelos, seu porte... Vindos através dos anos, rodopiavam em torno dela, revestindo-a de saudade... Saudade dele, dela, da juventude que um dia habitara aquele corpo alquebrado e que ficara lá longe, dos sonhos que a acalentaram, de tudo o que o tempo reteve em seus caminhares...
Sentindo o frio da madrugada, deixou a janela, sentou-se na poltrona, encolhida, cobrindo as pernas com uma manta e, antes de abrir o livro que a esperava sobre a mesinha lateral, ainda ficou uns minutos cogitando sobre o quão bom era sentir tão doce saudade... Tão bom ter tais momentos guardados dentro de si, mostrando que a vida foi vivida com intensidade, com paixões, com sonhos, com esperanças, com amor... Lembranças que mostravam claramente que valera a pena cada passo percorrido nesse longo caminhar... Que razão tinha nosso Fernando Pessoa ao afirmar que “tudo vale a pena se...”
Fico aqui conversando com meus botões, quase não acreditando nesta realidade cruel, brutal, insana em que vivemos hoje neste país.
Que fizeram de ti, ó Pátria Amada? Eu que te conheci simples, discreta, segura, acolhedora, honesta, respeitando teus cidadãos e sendo por eles respeitada, vejo-te agora mergulhada num mar de lama e de descalabros de todos os tipos. Olho-te por todos os ângulos e não vejo nada além de insegurança, medo, roubos, assassinatos, corrupção, impunidade e desesperança... É preciso ser muito "cabeça na lua" para ainda pensar em ti como a terra da promissão, escolhida por Deus para ser Seu lugar de nascimento (não viviam dizendo que Deus era brasileiro?). Teu povo tem medo e vive enclausurado atrás de altos muros, cercado de toda a possível segurança que a tecnologia nos trouxe. Tuas crianças já não vivem soltas e felizes pelas ruas, em brincadeiras, como eu e as de minha geração fazíamos... Teus jovens já não passeiam de mãos dadas, olhos nos olhos, preocupados apenas com a doçura do momento... Teus filhos, chefes de família, já não sabem se voltarão para casa após sua jornada de trabalho... Que fizeram de ti, ó Pátria minha?
Como está difícil, meu Deus! Para onde caminhamos, Senhor? É bem verdade que grande parte dos brasileiros anda esquecida de Ti, dos ensinamentos de Teu filho, do amor por Ele apregoado... É bem verdade que os valores já não são os mesmos e que a educação e a formação dadas hoje aos pequenos carece de disciplina, do ensinamento "tua liberdade termina onde começa a de teu semelhante", ou "respeite se quiser ser respeitado", etc... etc... etc... E, claro, isso faz uma enorme diferença. Faz os pequenos pensarem que são os donos do mundo, que o tal do mundo foi criado para servi-los e que todos lhes devem obediência... Triste não? É evidente, Senhor, que ainda temos muitas e muitas famílias voltadas para o amor, criando seus filhos com responsabilidade. Temos sim, Senhor! E damos graças a Ti por isso, acreditando que nem tudo possa estar perdido. Mas está insuportável. É só abrir um jornal, ligar o rádio ou a TV e lá está a constatação de tudo o que te digo, Mestre! Vivemos em meio a um caos e temos a impressão de que este país é uma bomba relógio prontinha para explodir... Valha-nos Deus!...
Linda manhã de verão, ensolarada e quente, insuportavelmente quente, que vai trazer, como resultado, fortes chuvas e temporais lá pelo meio da tarde, transformando esta cidade num caos bem maior do que normalmente já o é. E todo ano é a mesma coisa. Alagamentos, desabamentos, pessoas que perdem o pouco que a vida, difícil, já lhes deu e, em meio a tudo isso, promessas das autoridades de que, para o ano, isso já não mais acontecerá... Promessas... Promessas,,, Promessas, Vãs e mentirosas promessas feitas a um povo que, acima de tudo, ainda acredita em promessas. Ou não? Talvez nem acreditem mais, mas também não aprendem que somos nós, o povo, que colocamos lá no alto de seus "tronos" esses que nos governam. Ou, seria melhor dizer "desgovernam"? Sei lá!...
Mas, com ou sem chuvas torrenciais, com ou sem promessas não cumpridas, este povo sofrido segue em frente, na esperança de que um dia melhore. Com ou sem grandes temporais, hoje é sexta-feira, dia de, normalmente, caos no trânsito, ainda que em tardes calmas, imaginem com inundações... Mas a vida segue seu rumo, então, vamos em frente.
Que o fim de semana dos amigos e leitores do "Prosa" possa ser iluminado com a paz tocando seus corações.
Sempre gostei de caricaturas. É maravilhoso ver como a arte do caricaturista consegue captar os principais traços de uma pessoa, a ponto de fazê-la reconhecível, mesmo que em uma primeira vista não tenha nada a ver com ela. Através delas são feitas tantas sátiras... Mas fiquei espantada quando meu filho tirou uma foto minha com seu celular e, na mesma hora, usando um aplicativo, transformou a foto numa linda caricatura. Coisas da modernidade... Essa modernidade que me encanta e fascina, a cada vez mais.