Saindo da Praça da Sé...
Os bairros, como as pessoas, também envelhecem e, ao envelhecerem vão decaindo, tomando um certo ar de tristeza, de abandono, até. Ontem precisei voltar ao bairro de minha infância. Fui com minha nora até a avenida principal desse bairro, em busca de tecido de tapeçaria para refazer as cadeiras de minha sala de almoço.
A Igreja da Ordem Terceira do Carmo continua lá, ao lado da Secretaria da Fazenda
Antes sóbria, quase elegante, com um comércio bem diferenciado para a época, mergulha hoje numa indiferença total, sem marcas nem estilo, sem nem sombra do pretenso glamour dos anos dourados, quando contava com alguns bons restaurantes, boas lojas, com seu "footing" dos sábados e domingos à noite, que a fazia parecer tão iluminada, carregada de sonhos presos aos jovens corações que por lá passeavam na esperança de encontrar aquele alguém tão especial...
A igreja de minhas doces recordações
Minha primeira escola
Pude rever a escola de minhas primeiras letras, a igreja de minha primeira comunhão e na qual me casei, a rua onde cruzei por primeira vez com o homem que seria meu marido, as calçadas que abrigaram meus sonhos de menina-moça, de sonhadora mulher, mas já não eram as mesmas ruas, as mesmas calçadas, a mesma igreja, a mesma escola, embora tudo continuasse lá no mesmo lugar, do mesmo jeito, mas ao mesmo tempo tão completamente diferente... Havia em torno de tudo um ar de decadência, de uma certa desesperança... .
O doce charme de outras eras...
Não pude deixar de me sentir triste, de pensar que os bairros, como as pessoas, deveriam saber envelhecer sem perder o charme...