floquinhos

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Depois das chuvas...


Céu todo cinza, carregado, cidade molhada pela chuva da noite, alma impaciente, como se estivesse a espera de alguém que nunca mais viria, uma certa inquietude  no peito... E uma impaciência de fazer dó! 
Tentei arrumar armários e prateleiras e acabei deixando para depois. Abri meu livro de cabeceira e não consegui mergulhar nele... Liguei o rádio e o som que encheu a sala fez meu coração transbordar de saudade... As lágrimas vieram, muito a contragosto, molhar meu rosto... Definitivamente, hoje é dia de saudade, de ausência, de vazio... Definitivamente, hoje não é dia de se estar só... 

(E antes que meus amigos comecem a se preocuparem comigo: - é só um texto... O sol até já começa a brilhar lá fora, secando a cidade molhada pelas chuvas da noite.)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Enquanto o Sol passeia...


O sol entra atrevido pelas frestas da janela, como que pedindo para que esta seja aberta de par em par, para que o lindo céu todo azul de primavera inunde os olhos meio atordoados com tanto brilho, ao despertar em plena manhã de terça-feira... A alma, agradecida por tanta vida, vai se espreguiçando e, pouco a pouco, vai despertando para um novo dia. A menina deixa que o corpo se espreguice também, antes de pular da cama, atendendo ao chamado da mãe que avisa o quanto já se faz tarde, dizendo que ela vai acabar por perder a hora do colégio.
Depois de uma rápida chuveirada e de um tempinho diante do espelho tentando compor o "look" do dia, tentando deixar-se ficar quase igual a todas as outras meninas do colégio - repararam como as meninas são quase todas iguais, hoje em dia? mesmo corte e alisamento de cabelo, mesmas roupas, mesma maquiagem, mesmas bijuterias?  -  a jovem desce as escadas correndo, beija a mãe e senta-se à mesa para o café. Só então nota os olhos vermelhos de tanto chorar da irmã mais velha. Sacode a cabecinha e, num gesto de ternura envolve a irmã num abraço, sem uma palavra. A mãe, assustada, pergunta o que está havendo e a jovem Maria Luíza diz que também não sabe, mas se a irmã chora, é porque está sofrendo e, se a irmã sofre, ela sofre também. Comovida, a mãe abraça as filhas pensando no poder de dramaticidade de uma adolescente ao sofrer sua primeira desilusão e em quantas vezes mais a filha choraria e em quantas tantas outras vezes voltaria a sorrir quando um sol de primavera voltasse a aquecer seu coração palpitante por uma nova (e imortal) paixão...
E lá fora, o lindo sol que banha a vida, indiferente aos dramas ou meio-dramas que aquece com seus raios, continua seu passeio pela terra...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

No Dia dos Professores, com carinho

Minha primeira professora foi Dona Adelaide, uma senhorinha delicada que usava de muita autoridade e firmeza no trato com seus alunos, sem nunca perder a doçura da voz.
Fecho meus olhos e vejo-a, ainda, cabelos grisalhos arrumados num coque preso à nuca, óculos que não conseguiam esconder a vivacidade de seus olhos e - não sei se realmente usava sempre roupas escuras, mas é assim que me lembro dela - num vestido de seda azul-marinho com pequeninas flores brancas estampadas, mangas compridas, gola arredondada presa por um lindo camafeu. O que me intrigava muito, porém, era o fato dela colocar outro par de óculos sobre os que sempre usava, para poder ler de perto. Aquilo para mim era surpreendente e sua principal característica, pelo menos naquela época.
Quanta saudade sinto desta e de tantas outras professoras, às quais devo grande parte de minha formação e que trago sempre presentes em minhas lembranças. Por isso, neste Dia dos Professores, quero render minhas homenagens e deixar meu eterno agradecimento a cada um(a) dos meus mestres(as) pela parte de meus caminhos que lhes coube e que tão bem souberam aplainar, tornando meus passos em direção aos dias de hoje bem mais seguros. 

E a todos vocês que dedicaram suas vidas ao magistério, ao ensinar caminhos, a despertar o amor pelo conhecimento, com muito carinho deixo aqui meu abraço, desejando a cada um 

FELIZ DIA DOS PROFESSORES.

sábado, 13 de outubro de 2012

Fico aqui matutando...


Sabe quando você está num daqueles momentos de "dolce fare niente" e realmente não há nada de interessante para fazer, quando nem um livro consegue reter sua atenção, num daqueles momentos de tédio que acomete, mais cedo ou mais tarde, a qualquer um de nós, quando nem o controle remoto da TV pode levá-lo a nada que o interesse? Foi num desses momentos que acabei parando num "Supernanny". Esse programa que certos pais com crianças pequenas deveriam ver de vez em quando, principalmente quando pensam que a disciplina é coisa do passado, que seus filhos devem ser criados com toda a liberdade do mundo, etc. e tal. Joanne, a baba, consegue mostrar a pais desesperados com seus insuportáveis e muito mal educados filhos, como devolver a eles e à suas casas, o respeito mútuo, a serenidade e a paz que toda família precisa para  bem viver, apenas impondo a disciplina. Só de ver aqueles pirralhos xingando e chutando ou estapeando seus pais eu fico de "cabelos em pé", fico me perguntando como chegamos a isso e aonde o mundo vai parar com toda essa permissividade,
Pois ontem a "nanny" apresentava um programa de aconselhamentos e uma parte desse programa versava sobre o quanto a infância está sendo reduzida, o quanto a cada dia mais cedo as nossas crianças estão se tornando adultas; meninas de 10, 12.13 anos vestindo-se como se já fossem moças, maquiadas, cabelos pintados, roupas com grandes decotes e saias curtíssimas, sapatos altos, saindo para frequentar boates até quase a madrugada. E com a aquiescência da mãe, acreditam? E a desculpa que a mãe deu a Joanne foi que, se ela não permitisse, a filha perderia a confiança nela e nunca mais contaria tudo para ela!!! 
Num outro programa, meninas bem menores preparavam-se para concursos de "miss", maquiadas, cabelos de adultas, sobrancelhas depiladas... O que estão fazendo com nossas crianças, meu Deus? Como se já não bastassem o absurdo de certas cenas que são exibidas em nossas tele-novelas; crianças liberadas para assisti-las ao lado dos pais,  formando desde cedo, em cada uma delas uma idéia errada da conduta que deveriam seguir, endeusando personagens mau-caráter em cenas de violência, em ousadas senas de sexo e tantas outras coisas que em nada vão ajudar na formação de alguém.
É de endoidar, não é? Mas nem tudo está perdido. Ainda temos a maioria dos pais olhando pelos seus pequenos, dando a eles exemplos de vida e de comportamento, garantindo a possibilidade de uma reviravolta, de uma mudança nisso tudo, da possibilidade de escolha de cada um, de que caminho seguir, quando não for mais criança, quando tiver tido seu tempo de inocência, de folguedos, de fé no que virá e, principalmente, de aprendizado no trato com todos os que o cercam.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Divagações neste Dia da Criança


Faz tanto tempo, eu era criança... Pés descalços, correndo pelas calçadas do velho e tradicional bairro paulistano, cabecinha cheia de deslumbramentos pelas descobertas de cada dia, de cada momento... Sonhos? Sempre os tive, sempre os terei. No dia em que não mais puder sonhar, terei parado de viver. Com que eu sonhava, então? Sonhava talvez com a boneca que vira na vitrine de uma loja e que meu pai, com tristeza imensa, não pudera me dar, mas como sonhos são feitos para nos dar alento, alegria, logo o sonho seria trocado por outro que seria realizado numa noite de Natal, porque os pais, desde sempre, acabam por conseguir um jeito de tornarem felizes os filhos que tanto amam. A linda boneca de porcelana ficou na vitrine e para meus braços veio uma boneca de pano feita carinhosamente por minha avó, Dona Rosa, mulher forte, batalhadora, afeita ao trabalho e às vicissitudes da vida, mãos prendadas e, apesar do jeitão severo, coração cheio de amor. Era bem lindinha e perdi-me de amores por ela assim que a vi. Claro, a boneca chamou-se Rosa e andou tanto comigo, brincou tanto comigo - porque brincávamos juntas,  já que para mim ela tinha vida, que um dia cansada de tanto brincar, desfez-se em trapos, para minha tristeza. Mas no Natal seguinte, recebi minha primeira boneca de porcelana e, com o egoísmo natural e inocente de toda criança, Rosa acabou por ficar quase esquecida, misturada a tantas lembranças que marcaram meus caminhos... Ressuscito-a hoje, tentando redimir-me de minha ingratidão. devolvendo-a ao seu merecido lugar de destaque na prateleira de minhas mais doces recordações de infância.

E a todas as crianças que um dia fomos, a todas as crianças que amamos e que enchem de momentos felizes nossas vidas...

FELIZ DIA DA CRIANÇA

PS - Quero recomendar, com muito carinho, a todos os amigos e leitores do Prosa, uma visita no dia de hoje, ao lindo blog da nossa querida amiga, Beth/Lilás, o "Mãe Gaia", para verem o lindo trabalho com que ela homenageia as crianças que um dia fomos... Parabéns, Beth! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E vamos descobrindo novos sabores...


Viver em cidades muito grandes tem lá seus problemas, mas tem também suas vantagens, suas delícias. E em São Paulo não poderia ser diferente. Trânsito caótico, violência, gente apressada e estressada, corre-corre, são uma constante, constante porém compensada - e quase que plenamente - por tudo o que uma cidade moderna pode oferecer, inclusive jantares ao redor do mundo. Se você escolher um bistrô francês, vai certamente se sentir em Paris; já se escolher um restaurante mexicano, uma cantina italiana, um pub inglês, um restaurante chinês ou se preferir ir a um japonês, lá na Liberdade, vai se sentir em cada um desses países ao saborear pratos maravilhosos e muito diferentes, representantes de cada uma dessas culturas. Mas o melhor, o mais instigante, são os lugares pouco conhecidos como um indiano, um marroquino, um tailandês, restaurantes que você não encontra em  cidades pequenas ou até de médio porte. 


Os leitores do Prosa certamente já perceberam, por alguns posts meus, que tenho um filho apaixonado por gastronomia, o que para ele é um refúgio das horas quase sempre difíceis que passa em seu trabalho. E é por isso que, graças a ele e a esse seu hobby, tenho "viajado" por algumas partes desse nosso planeta sem sequer sair de minha cidade. Pois!... Ontem, aproveitando a presença de minha nora Maria Antonieta aqui em Sampa, onde veio para fazer um curso, e com a "desculpa" de que ela não havia ido ainda  a um restaurante marroquino, fomos apreciar um momento em uma "tenda" multicolorida, cheia de luzes e de música tão diferente da nossa, mas tão agradável. 


O norte da África tão perto aqui de casa, na Fradique Coutinho, sensação que vai chegando em nós na medida em que vamos transpondo o corredor, lindo, que nos leva do portão da rua ao salão, transformado numa tenda, daquelas que vocês imaginam feitas para as delícias de um xeique no deserto... 


Você entra no clima e que venham, então, o couscous, o tajine, o cordeiro, entre outras delicias, e as sobremesas, e o chá que encerra uma refeição e um momento num país distante... 


Só uma peninha por não ser noite de sábado, quando a sensação seria bem maior quando as salas (ou tenda) fossem invadidas por lindas mulheres,  em seus sensuais meneios ao som da dança do ventre, deslisando entre as mesas... 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

De volta ao meu canto...


Desde domingo, de volta ao ninho, reorganizando a casa depois de vinte dias fora, curtindo a primavera paulistana, cheia de sol, temperaturas até amenas, céu azulzinho, tudo muito lindo, afagando o coração. As flores do terraço, porém, andam tão tristinhas, nem parecendo estarem na primavera; as roseiras com jeito de que vão desistir, o pé de romã lá de cima, quase sem folhinhas e a jabuticabeira parecendo ser a mais insistente, parecendo querer continuar tentando crescer em um lugar adverso, talvez com muito vento, não sei. E não foi falta de cuidados, não. Todos tem sido regados normalmente, tem sido muito bem cuidados, por isso fico bem aborrecida. Já fiz várias tentativas para deixar meus terraços floridos, mas acabo sempre me frustrando. Acho que é por isso que só vejo folhagens nos terraços vizinhos. Nada de flores. 


Mas, para compensar, minha orquídea deu flores pela segunda vez e está linda num canto da sala. Ah, sim, o "lírio da paz" também está bonitinho, vai resistindo...
Acho que preciso fazer um curso de jardinagem... rs... Ou nem isso, a se dar crédito ao que diziam os mais antigos: é preciso "ter mão" para plantas - e acabo de me convencer de que eu não as tenho... sniff... sniff...