floquinhos

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

No Dia dos Professores, com carinho

Minha primeira professora foi Dona Adelaide, uma senhorinha delicada que usava de muita autoridade e firmeza no trato com seus alunos, sem nunca perder a doçura da voz.
Fecho meus olhos e vejo-a, ainda, cabelos grisalhos arrumados num coque preso à nuca, óculos que não conseguiam esconder a vivacidade de seus olhos e - não sei se realmente usava sempre roupas escuras, mas é assim que me lembro dela - num vestido de seda azul-marinho com pequeninas flores brancas estampadas, mangas compridas, gola arredondada presa por um lindo camafeu. O que me intrigava muito, porém, era o fato dela colocar outro par de óculos sobre os que sempre usava, para poder ler de perto. Aquilo para mim era surpreendente e sua principal característica, pelo menos naquela época.
Quanta saudade sinto desta e de tantas outras professoras, às quais devo grande parte de minha formação e que trago sempre presentes em minhas lembranças. Por isso, neste Dia dos Professores, quero render minhas homenagens e deixar meu eterno agradecimento a cada um(a) dos meus mestres(as) pela parte de meus caminhos que lhes coube e que tão bem souberam aplainar, tornando meus passos em direção aos dias de hoje bem mais seguros. 

E a todos vocês que dedicaram suas vidas ao magistério, ao ensinar caminhos, a despertar o amor pelo conhecimento, com muito carinho deixo aqui meu abraço, desejando a cada um 

FELIZ DIA DOS PROFESSORES.

sábado, 13 de outubro de 2012

Fico aqui matutando...


Sabe quando você está num daqueles momentos de "dolce fare niente" e realmente não há nada de interessante para fazer, quando nem um livro consegue reter sua atenção, num daqueles momentos de tédio que acomete, mais cedo ou mais tarde, a qualquer um de nós, quando nem o controle remoto da TV pode levá-lo a nada que o interesse? Foi num desses momentos que acabei parando num "Supernanny". Esse programa que certos pais com crianças pequenas deveriam ver de vez em quando, principalmente quando pensam que a disciplina é coisa do passado, que seus filhos devem ser criados com toda a liberdade do mundo, etc. e tal. Joanne, a baba, consegue mostrar a pais desesperados com seus insuportáveis e muito mal educados filhos, como devolver a eles e à suas casas, o respeito mútuo, a serenidade e a paz que toda família precisa para  bem viver, apenas impondo a disciplina. Só de ver aqueles pirralhos xingando e chutando ou estapeando seus pais eu fico de "cabelos em pé", fico me perguntando como chegamos a isso e aonde o mundo vai parar com toda essa permissividade,
Pois ontem a "nanny" apresentava um programa de aconselhamentos e uma parte desse programa versava sobre o quanto a infância está sendo reduzida, o quanto a cada dia mais cedo as nossas crianças estão se tornando adultas; meninas de 10, 12.13 anos vestindo-se como se já fossem moças, maquiadas, cabelos pintados, roupas com grandes decotes e saias curtíssimas, sapatos altos, saindo para frequentar boates até quase a madrugada. E com a aquiescência da mãe, acreditam? E a desculpa que a mãe deu a Joanne foi que, se ela não permitisse, a filha perderia a confiança nela e nunca mais contaria tudo para ela!!! 
Num outro programa, meninas bem menores preparavam-se para concursos de "miss", maquiadas, cabelos de adultas, sobrancelhas depiladas... O que estão fazendo com nossas crianças, meu Deus? Como se já não bastassem o absurdo de certas cenas que são exibidas em nossas tele-novelas; crianças liberadas para assisti-las ao lado dos pais,  formando desde cedo, em cada uma delas uma idéia errada da conduta que deveriam seguir, endeusando personagens mau-caráter em cenas de violência, em ousadas senas de sexo e tantas outras coisas que em nada vão ajudar na formação de alguém.
É de endoidar, não é? Mas nem tudo está perdido. Ainda temos a maioria dos pais olhando pelos seus pequenos, dando a eles exemplos de vida e de comportamento, garantindo a possibilidade de uma reviravolta, de uma mudança nisso tudo, da possibilidade de escolha de cada um, de que caminho seguir, quando não for mais criança, quando tiver tido seu tempo de inocência, de folguedos, de fé no que virá e, principalmente, de aprendizado no trato com todos os que o cercam.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Divagações neste Dia da Criança


Faz tanto tempo, eu era criança... Pés descalços, correndo pelas calçadas do velho e tradicional bairro paulistano, cabecinha cheia de deslumbramentos pelas descobertas de cada dia, de cada momento... Sonhos? Sempre os tive, sempre os terei. No dia em que não mais puder sonhar, terei parado de viver. Com que eu sonhava, então? Sonhava talvez com a boneca que vira na vitrine de uma loja e que meu pai, com tristeza imensa, não pudera me dar, mas como sonhos são feitos para nos dar alento, alegria, logo o sonho seria trocado por outro que seria realizado numa noite de Natal, porque os pais, desde sempre, acabam por conseguir um jeito de tornarem felizes os filhos que tanto amam. A linda boneca de porcelana ficou na vitrine e para meus braços veio uma boneca de pano feita carinhosamente por minha avó, Dona Rosa, mulher forte, batalhadora, afeita ao trabalho e às vicissitudes da vida, mãos prendadas e, apesar do jeitão severo, coração cheio de amor. Era bem lindinha e perdi-me de amores por ela assim que a vi. Claro, a boneca chamou-se Rosa e andou tanto comigo, brincou tanto comigo - porque brincávamos juntas,  já que para mim ela tinha vida, que um dia cansada de tanto brincar, desfez-se em trapos, para minha tristeza. Mas no Natal seguinte, recebi minha primeira boneca de porcelana e, com o egoísmo natural e inocente de toda criança, Rosa acabou por ficar quase esquecida, misturada a tantas lembranças que marcaram meus caminhos... Ressuscito-a hoje, tentando redimir-me de minha ingratidão. devolvendo-a ao seu merecido lugar de destaque na prateleira de minhas mais doces recordações de infância.

E a todas as crianças que um dia fomos, a todas as crianças que amamos e que enchem de momentos felizes nossas vidas...

FELIZ DIA DA CRIANÇA

PS - Quero recomendar, com muito carinho, a todos os amigos e leitores do Prosa, uma visita no dia de hoje, ao lindo blog da nossa querida amiga, Beth/Lilás, o "Mãe Gaia", para verem o lindo trabalho com que ela homenageia as crianças que um dia fomos... Parabéns, Beth! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

E vamos descobrindo novos sabores...


Viver em cidades muito grandes tem lá seus problemas, mas tem também suas vantagens, suas delícias. E em São Paulo não poderia ser diferente. Trânsito caótico, violência, gente apressada e estressada, corre-corre, são uma constante, constante porém compensada - e quase que plenamente - por tudo o que uma cidade moderna pode oferecer, inclusive jantares ao redor do mundo. Se você escolher um bistrô francês, vai certamente se sentir em Paris; já se escolher um restaurante mexicano, uma cantina italiana, um pub inglês, um restaurante chinês ou se preferir ir a um japonês, lá na Liberdade, vai se sentir em cada um desses países ao saborear pratos maravilhosos e muito diferentes, representantes de cada uma dessas culturas. Mas o melhor, o mais instigante, são os lugares pouco conhecidos como um indiano, um marroquino, um tailandês, restaurantes que você não encontra em  cidades pequenas ou até de médio porte. 


Os leitores do Prosa certamente já perceberam, por alguns posts meus, que tenho um filho apaixonado por gastronomia, o que para ele é um refúgio das horas quase sempre difíceis que passa em seu trabalho. E é por isso que, graças a ele e a esse seu hobby, tenho "viajado" por algumas partes desse nosso planeta sem sequer sair de minha cidade. Pois!... Ontem, aproveitando a presença de minha nora Maria Antonieta aqui em Sampa, onde veio para fazer um curso, e com a "desculpa" de que ela não havia ido ainda  a um restaurante marroquino, fomos apreciar um momento em uma "tenda" multicolorida, cheia de luzes e de música tão diferente da nossa, mas tão agradável. 


O norte da África tão perto aqui de casa, na Fradique Coutinho, sensação que vai chegando em nós na medida em que vamos transpondo o corredor, lindo, que nos leva do portão da rua ao salão, transformado numa tenda, daquelas que vocês imaginam feitas para as delícias de um xeique no deserto... 


Você entra no clima e que venham, então, o couscous, o tajine, o cordeiro, entre outras delicias, e as sobremesas, e o chá que encerra uma refeição e um momento num país distante... 


Só uma peninha por não ser noite de sábado, quando a sensação seria bem maior quando as salas (ou tenda) fossem invadidas por lindas mulheres,  em seus sensuais meneios ao som da dança do ventre, deslisando entre as mesas... 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

De volta ao meu canto...


Desde domingo, de volta ao ninho, reorganizando a casa depois de vinte dias fora, curtindo a primavera paulistana, cheia de sol, temperaturas até amenas, céu azulzinho, tudo muito lindo, afagando o coração. As flores do terraço, porém, andam tão tristinhas, nem parecendo estarem na primavera; as roseiras com jeito de que vão desistir, o pé de romã lá de cima, quase sem folhinhas e a jabuticabeira parecendo ser a mais insistente, parecendo querer continuar tentando crescer em um lugar adverso, talvez com muito vento, não sei. E não foi falta de cuidados, não. Todos tem sido regados normalmente, tem sido muito bem cuidados, por isso fico bem aborrecida. Já fiz várias tentativas para deixar meus terraços floridos, mas acabo sempre me frustrando. Acho que é por isso que só vejo folhagens nos terraços vizinhos. Nada de flores. 


Mas, para compensar, minha orquídea deu flores pela segunda vez e está linda num canto da sala. Ah, sim, o "lírio da paz" também está bonitinho, vai resistindo...
Acho que preciso fazer um curso de jardinagem... rs... Ou nem isso, a se dar crédito ao que diziam os mais antigos: é preciso "ter mão" para plantas - e acabo de me convencer de que eu não as tenho... sniff... sniff...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Palavras...


"Acima de nós, em redor de nós, as palavras voam e às vezes pousam."

(Cecilia Meireles)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Passeando por São Paulo (2)


Estátua do Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva
Foto: arcoweb.com.br

A Praça da Sé é o marco zero da cidade de São Paulo e é de onde partimos hoje para mais um passeio a procura de praças e monumentos dessa metrópole tão cheia de surpresas. No lado oposto à Catedral, tomamos a rua Direita, sempre tão apinhada de gente e caminhamos por ela até a Praça do Patriarca, nosso destino de hoje.


Ed/ifício da mais tradicional casa de artigos médico-cirúrgicos da cidade, a Casa Fretin, desde 1895  -  Foto: L. S. Macedo

Situada no Centro Histórico, é um dos logradouros mais antigos  da cidade, e seu nome homenageia José Bonifácio de Andrada e Silva, o "Patriarca da Independência". Começou a ser construída em 1912, com a demolição de antigos casarões localizados entre as Ruas São Bento e Libero Badaró, na continuidade das ruas Direita e da Quitanda, porta de entrada para o tradicional Viaduto do Chá que. por sua vez, dá acesso ao Vale do Anhangabaú, e a outros importantes pontos da cidade.

Entrada para a Galeria
Foto: www.arcoweb.com.br

Em 1932 recebeu o nome de "Praça Patriarca José Bonifácio", mas como era chamada pela população, simplesmente, Praça do Patriarca, teve seu nome oficialmente abreviado em 1953.


Sede da Prefeitura da Cidade de São Paulo
Foto: Site da PMSP

Junto a ela, logo no início do Viaduto do Chá, encontramos a sede da Prefeitura Municipal de São Paulo, instalada no Edifício Matarazzo. A praça abriga vários edifícios históricos, sendo o mais importante deles a Igreja de Santo Antonio, um ícone daquele local - tombada pelo "Condephaat" (Poder Público Estadual) desde 1970, devido a sua importancia histórica e arquitetônica.

 Igreja de Santo Antonio
Foto: Dornicke (Wikipédia)

Considerada a mais antiga igreja remanescente da cidade, fundada no final do Século XVI, esse templo católico abrigou a Ordem dos Franciscanos no Século XVII e esteve subordinada à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos no Século XVIII, tendo sofrido diversas reformas e intervenções ao longo de quatro séculos, sobretudo na sua fachada, reinaugurada em 1919.

Igreja Santo Antonio - Altar-mor
Foto: Dornicke (Wikipédia)

Em seu interior, a Igreja de Santo Antonio conserva testemunhos importantes da arte produzida em São Paulo durante o período colonial; em sua restauração, em 2005, descobriu-se no forro de seu altar-mor pinturas murais seiscentistas de alta qualidade técnica e artística, as mais antigas de que se tem notícia na Capital Paulista, sendo  seu altar principal (executado em 1780) e um exemplo da talha barroca.

Edifício Sampaio Moreira
Foto: Dornicke (Wikipédia)

Durante a administração do Prefeito Prestes Maia (1938-1945) foi construída uma passagem subterrânea ligando a Praça ao Vale do Anhangabaú, que receberia, mais tarde, o nome de Galeria Prestes Maia e que, por sua importância na história da cidade, vai merecer um espaço só seu nos arquivos do Prosa. A praça, como a encontramos hoje, sofreu grande remodelação em 2002, com a retirada dos pontos de ônibus e a construção de um portal sobre a entrada da galeria.
Protegendo a entrada da Galeria
Foto: Google
Se me permitem uma opinião pessoal, esse portal nada tem a ver com a "cara" da velha e querida praça, já não se nota nela o velho charme de outrora...

 A Praça de outrora, antes mesmo da Galeria
Foto: Google