floquinhos

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um final de semana "pra ninguém botar defeito"...

(O mercado de flores do Arouche)

Fazia muito tempo que eu não desfrutava de um final de semana tão "festeiro" como este! Começou na sexta-feira, quando comemoramos o aniversário da doce Thayná (17 aninhos), filha de minha nora Graziele, com um jantar num tradicional restaurante de Sampa, lugar escolhido pela aniversariante, jovenzinha de um bom gosto inegável (rs), o "Le Casserole", lá no velho Largo do Arouche, bem em frente ao lindo "mercado de flores" - mercado e restaurante que fazem o deleite dos paulistanos há muitas décadas, verdadeiros patrimônios da cidade. O Le Casserole foi o primeiro "bistrô" francês de São Paulo e o mercado de flores foi criado no estilo dos mercados de flores franceses.  Ir a esse cantinho do velho Arouche é viajar no tempo, regressar a uma São Paulo que já foi bem mais refinada, com ares de cidade européia, cheia de charme...

(Thayná)

Já no sábado pela manhã vim para Campinas para ajudar nos preparativos do almoço de domingo, que foi servido para comemorar os aniversários de meu filho mais velho (Bira, 53 aninhos... rs...) e do meu neto (Caio, 21 anos). Almoço que transcorreu com muita alegria, numa festa que se estendeu até o começo da noite, com a presença de pessoas muito queridas por meus dois amores. 

(Caio e Bira, neto e filho aniversariantes)

Com tanta festa em um só fim de semana, hoje estou assim, como direi, "arriada"... rs... Alma apaziguada pela felicidade de momentos lindos, corpo pedindo descanso, pobre corpo já velhinho, não afeito a tantas emoções... hehehe... Brincadeirinha, viu meus amigos? Estou é muito bem, muito feliz, desfrutando do aconchego desta casa de meus amores, aqui na antigamente chamada "cidade das andorinhas, onde devo permanecer por mais uns dias ainda, antes de retornar ao ninho, lá em Sampa... 


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Já que é sexta-feira...


Oh, Céus!... ando tão sem inspiração...Cadê a graça até nos momentos mais sem graça?... Todo mundo diz que é só uma fase, que vai passar, etc. e tal, mas está custando tanto... Acho que estou mesmo é sentindo falta de sentir a chegada do outono lá no outro hemisfério, do sorriso, do abraço dos kids, do tête-à-tête com minha filhota. O Skype ajuda, mas não é a mesma coisa, né? 
Bom, enquanto a inspiração está em férias, fico me valendo da inspiração maravilhosa e constante dos poetas do meu coração para adoçar o Prosa e nossos queridos amigos e leitores... E como é sexta-feira, dia sempre  tão esperado, vamos deixar aqui um clima de romantismo com a sensibilidade de Florbela Espanca.

Esquecimento

Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar'ceu.

Tudo ao redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... Tateio sombras... Que saudade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisantemos...

E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...

(Florbela Espanca)





segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um relógio dentro da noite...


Acordo de noite subitamente,
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a natureza lá fora.
O meu quarto é uma cousa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena cousa de engrenagens que está em cima de minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,
Mas estaco, e sinto-me a sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única coisa que meu relógio simboliza ou significa
Enchendo com sua pequenez a noite enorme
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com s sua pequenez...

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Somos...


"Somos as escolhas que fizemos e as que omitimos, a audácia que tivemos e os fantasmas aos quais sacrificamos a possível alegria e até pessoas a quem amamos; a vida que abraçamos e a que desperdiçamos. Em suma, fazemos a escritura de nossa complicada história."

(Lya Luft)

sábado, 1 de setembro de 2012

As flores vão voltando...


E lá se foi agosto!... Um mês olhado de soslaio por uns, tido como agourento por outros, mas para mim um mês bem especial, já que foi em agosto que cheguei a este nosso mundo. 
Pois agosto, neste ano, foi bem atípico. Usualmente frio e garoento, cinza, com cara de poucos amigos, o agosto que terminou ontem foi todo lindo, ensolarado, com uma temperatura agradável durante o dia para deixar uma noite friazinha, convidando ao aconchego. Vai dando lugar a um mês sempre muito esperado por trazer consigo a primavera, suas flores, suas cores, suas luzes, seu clima de amor, de renascimento, de esperança. 



Mas aqui no terraço, as flores brotam antes mesmo da chegada da primavera e creio que isso se deva ao agosto que acolheu o sol e as luzes, permitindo que se instalassem antes do tempo, para alegria dos moradores desta casa. Assim temos a alegria de azaléas que se abrem para a vida, de botões de rosa que prometem beleza e perfume, de lírios da paz que já surgem timidamente entre a folhagem do vaso, e atá as orquídeas, que sempre se negaram a florescer por aqui, abrem seus botões para a vida... 




Delicado começo de primavera antecipada que, com muito gosto, divido qom os amigos e leitores do Prosa.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Santa incompetência!...

Lugares assim, ainda que em fotografia, me acalmam...

Não é tão fácil assim "me tirar do sério"... Na maior parte das vezes procuro entender as razões de cada um, ponderar, antes de ficar muito irritada, mas hoje... Ah, hoje eu tive que me segurar em todo o meu "aplomb" para não por para fora o que  estava sentindo, e que traduzo como indignação pura e simples pela incompetência ou, na melhor das hipóteses, despreparo de certos funcionários desses grandes laboratórios de exames clínicos e de imagens. Explico: dois dias antes, pedido médico na mão, liguei para agendar o tal exame (um ecodopplercardiograma tridimensional - nomezinho complicado, não?), depois de muitas pesquisas para saber onde ele poderia ser realizado. No tal Laboratório, confirmada a realização, agendados dia e horário, tudo certinho. Como só tinha horário para as sete da manhã, levantei super cedo para poder estar lá meia hora antes, conforme exigência. Triagem feita, subi para as salas de exames. Chamada, entrei na sala, despi minha blusa, coloquei o avental que eles oferecem e já ia me acomodando na maca quando a médica que faria o eco olhou para mim dizendo que aquele exame não era feito lá, nem em qualquer outra unidade daquele laboratório, aliás, ela nem sabia onde aquele exame poderia ser realizado, talvez só no   INCOR ou no HCOR, que lá eles só realizavam o eco bidimensional, cheia de desculpas e rapapés. Pode isso? Claro que eu disse a ela que a menina que agendou o exame e a menina que fez a triagem deveriam saber disso, etc e tal, que com tanto erro elas empatavam não só o meu tempo, mas o da médica também. Mas de que adianta falar? Desci, cancelei o pedido e voltei para casa meio inconformada. Se fosse apenas um erro, vá lá... Mas passei pela atendente que marcou o exame, pela recepcionista que fez o encaminhamento (após ligar para o meu convênio e confirmar se eu teria direito a tal exame, etc etc...  e ninguém prestou atenção ao nome do exame?... 
Ah, Santa Incompetência, como andas grassando neste nosso Brasil varonil!...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os doces de nossas mães... Quem faz melhor?


Em uma gaveta, entre papéis esquecidos em uma velha pasta, alguns já amarelados pelo tempo, dormia uma receita antiga, muito antiga. Lembro-me de te-la copiado, ou melhor, anotado, para depois transcrevê-la no caderno que caprichosamente estava montando, de doces e salgados que minha mãe tão bem fazia para nos deliciar em cada refeição, em cada sobremesa. Minha mãe tinha mãos de fada para tudo que se referisse ao lar. Era uma mulher talhada para a família, para a criação dos filhos, para os cuidados para com meu pai... E como cozinhava!... Ainda hoje, quando provo algum prato daqueles que ela costumava fazer, feito por mim ou seja lá por quem for, fico com a sensação de que falta alguma coisa, uma pitada qualquer de sei lá o que. Na verdade, acho mesmo que falta o amor da mãe... rs... Ninguém cozinha como sua mãe cozinhava em seus tempos de criança... Isso não é um fato? O doce de abóbora, o arroz-doce, o bolinho de chuva das tardes de domingo, depois da matinê no cinema do bairro... E os bolos? Meu Deus!... Aqueles bolos! De fubá, de laranja, ou de nada... simplesmente um bolo, saído do forno para acompanhar o chocolate das tardes frias de um inverno sempre garoento... 
A princípio cheguei a pensar que esse sentimento fosse coisa minha, mas aos poucos fui vendo que todo mundo acha que a mãe foi cozinheira de mão cheia. Se até Drummond assim o disse!... Bom, na verdade, a senhora mãe de nosso poeta maior era lá das Minas Gerais, terra de quitutes e quitandas de dar água na boca, da comidinha com gosto de quero mais...  Mas acho que com o passar do tempo, ele chegou, como eu, à conclusão de que comidinha de mãe é sinônimo de amor. Vejam estes versos:

Suas Mãos

Aquele doce que ela faz
quem mais saberia faz-lo?

Tentam, insistem, caprichando. 
Mandam vir o leite mais nobre.
Ovos de qualidade são os mesmos,
manteiga, a mesma,
iguais açúcar e canela.
É tudo igual. As mãos (as mães?)
são diferentes.

(Carlos Drummond de Andrade)