floquinhos

sábado, 24 de março de 2012

Uma tristeza...


Chico Anysio (1931-2012)

Desde ontem o nosso Brasil está um pouco mais pobre e muito mais triste...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Outonais versos de Florbela....


Outonal


Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...


Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que pouco a pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...


Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor...


(Florbela Espanca)

quinta-feira, 22 de março de 2012

São Paulo de todos os tempos...

Av. Paulista - símbolo da São Paulo de hoje

Viver numa cidade como São Paulo pode ser tudo, menos monótono. Anda-se pelo tempo enquanto se trafega por suas ruas. Na Paulista, a modernidade, a tecnologia, o presente e o futuro a um só tempo. No centro velho, aqui e alí, uma volta ao passado, a todas as décadas do século passado, mantido ainda em alguns lugares o charme europeu em sua arquitetura. 

No século passado, o charme europeu marcava a cidade 

Fazia anos que eu não ia ao centro velho, à Praça da Sé. Ontem, precisando refazer um documento, tive que ir ao Poupa Tempo e confesso que cheguei a engasgar com a saudade que me envolveu diante da Catedral, dos antigos arranha-céus, do majestoso prédio do Forum, do burburinho típico dos dias de semana... 

A catedral, no marco zero da cidade

Era como voltar décadas no tempo. Senti vontade de cruzar a congestionada Rua Direita, atravessar o Viaduto do Chá, chegar à Praça Ramos de Azevedo, encantar meu olhos com a arquitetura fantástica do Teatro Municipal, palmilhar a antigamente elegante Barão de Itapetininga e chegar à, em outros tempos charmosa, Praça da República para, sentada em um de seus bancos, ouvir a bandinha que tocava no coreto aos domingos à tarde... 

Teatro Municipal - Suntuosidade no centro da cidade

Praça da República - continua linda...

Era um dos caminhos que fazíamos, todos os paulistanos, sempre que tínhamos alguma coisa a fazer no centro da cidade ou quando íamos a um cinema, por exemplo ao Marabá, ao Marrocos, hoje nem sombra do que foram... 

Viaduto do Chá - vista noturna

Mas era gente demais, além do que, já não eram os mesmos tempos, já não havia banda na praça nem elegância na Barão... então guardei a vontade para a possibilidade de voltar por lá num desses domingos de manhã, quando a cidade mostra sua beleza aos que tem olhos e alma para navegar no tempo, aos que sabem enxergar através da névoa deixada pelas últimas décadas que acabaram por encobrir a beleza cantada e decantada pelos músicos e poetas de Sampa... 


Como diria Caetano, "alguma coisa acontece no meu coração" - e não só quando cruzo a Ipiranga com a Av. São João...

Museu de Arte de São Paulo (MASP) - na Avenida Paulista

terça-feira, 20 de março de 2012

Enfim, o Outono...


'O outono toca realejo no pátio de minha vida."

(Mário Quintana)




E é tão doce o som desse realejo que chega trazendo lembranças, momentos que ficaram na memória, vindos de um tempo longínquo, de outros outonos que vieram carregados de romance, ternura, amor... Romance, ternura, amor, que ficaram entranhados em minh'alma e que renascem a cada vez que essa tão linda estação chega assim, como hoje, clara, ensolarada, risonha...
Seja bem vindo, Outono. Chegue com sua elegância, com sua exuberante beleza, chegue trazendo aconchego para a alma, ternura para os corações que ainda sabem sonhar.

sábado, 17 de março de 2012

Um sol interior...


Foi bem assim que o sábado amanheceu por aqui, cinzento, com cara de triste, entristecendo quem trabalha a semana toda e sonha com o final de semana ensolarado, alegre, lindo, para seu descanso, seu lazer, seus passeios. 
Mas na medida em que a manhã foi transcorrendo, o sol foi rompendo as nuvens e agora brilha sobre a cidade. Meio amarelado, é verdade, com cara de quem só veio para dizer bom dia e para lembrar que, mesmo escondido, ele está lá, iluminando a vida. 
Assim somos nós. Temos também, cada um de nós, um sol guardado lá num cantinho de nossas almas, sempre pronto para romper as nuvens pesadas que a vida joga às vezes por sobre nossas cabeças. E, por mais que pareça difícil, é preciso que aprendamos a descerrar essas nuvens e a permitir que nosso sol interior brilhe, ilumine nossas almas, traga de volta um sorriso aos nossos rostos, para que assim talvez  consigamos enfrentar com mais serenidade as adversidades que nos esmagam em certos momentos da vida...

sexta-feira, 16 de março de 2012

E por falar em Tempo...

No tempo, o desabrochar da rosa,  a quietude da alma...

O Tempo!... Ah, o tempo! Essa "entidade" implacável que nunca se detém ou se curva diante da vida, mestre da própria vida, senhor de todas as verdades.. Enquanto traz consigo esperança, sonhos, esquecimento, conforto que acalma a alma, paz que adormece um coração ferido, carrega em seu rastro  desesperanças, angústias, decepções,  mágoas, rancores infindáveis que atormentam a alma. E, a par e passo,  vai tudo amainando na medida em que vai passando, lentamente...
Sentada aqui, no alto das tantas décadas em que fui sendo carregada pelo tempo ou, como preferem alguns, em que o tempo foi passando por mim,  vislumbrando ainda a possibilidade de, talvez,  dar ao tempo um pouco mais de tempo antes da grande partida, e numa filosofia vã e inútil, perco-me entre as lembranças que o Sr. Tempo resolveu guardar em mim, 
O Tempo? Ora o  Tempo!...

terça-feira, 13 de março de 2012

Na manhã de sol, versos de Cecília Meireles...


Soneto Antigo


Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
De mim, atravessada pelo mundo.


Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.


O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.


Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.


(Cecília Meireles)