floquinhos

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terça-feira, 2 de março de 2010

E a ausência faz-se presença...


A tarde está cinza, chuvosa, fria, como se fora uma tarde de inverno. Carrega consigo um arzinho triste e vai exalando um cheiro doce de saudade... Saudade que vai me envolvendo, que vai fazendo com que eu me enrodilhe no sofá, perdida em meus pensamentos, em minhas lembranças...
O livro fica esquecido sobre a mesinha lateral, a música parece entrar pelos poros, alojar-se na alma... E a ausência faz-se presença enquanto a tarde caminha lentamente rumo ao anoitecer...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Tentando definir você...


Se as pessoas fossem vento você seria a suave brisa de verão que chega refrescante, doce, numa tarde de primavera, trazendo o perfume das flores do jardim, o canto do bem-te-vi distante, pousado entre os galhos de uma pequena árvore cujas folhas titilassem ao seu passar...
Se as pessoas fossem música você seria um adágio de Albinoni ecoando sobre um terraço, numa noite de luar...
Se as pessoas fossem flores você seria um cravo encarnado cujo perfume suave pairasse no ar...
Se as pessoas fossem poemas você seria "Ausência" de Vinícius de Moraes...

Algumas pessoas são vento, música, flor, poesia... Algumas pessoas são... apenas sonho!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Música que chega à alma...


Há dias em que a alma enrodilha-se lá dentro de nós, fecha-se para o sol que brilha lá fora depois de tanta chuva, encolhe-se para não ver a luz que entra pela janela enchendo a sala de cores quando bate nos cristais que estão sobre a mesinha de centro...
Há dias, como o de hoje, em que essa alma inquieta e travessa vira-nos as costas, não quer mesmo conversa. Quer apenas e tão somente estar consigo mesma, mergulhada em suas saudades, em sua doce melancolia...
E aí, tentando mudar-lhe o ânimo, venho passear pela blogosfera, pensando que talvez, em uma visita ou outra aos amigos tão queridos ela vá se enternecendo e vá finalmente aflorando para o sábado que já vai alto, mas...
Num determinado espaço, ao chegar aos pés de uma doce pitangueira, somos recebidas por uma música que nos paralisa, a ambas, tal a carga de recordações e saudades que carrega em cada uma de suas notas e o inevitável acontece: entre ela e eu deságua um rio de lágrimas... Deixamos que corram, essas benfazejas lágrimas, que lavem nossos rostos, que nos lavem por inteiras, que levem consigo nossas saudades, nossos sonhos perdidos, nossos momentos não vividos, para depois então, olhando-nos frente a frente, sorrirmos, e num abraço fazermos as pazes e lado a lado retomarmos nosso doce caminho pela vida.
Às vezes é preciso verter algumas lágrimas para que cheguemos ao doce sorriso. Porque, afinal, se há saudade é porque houve o doce momento que a gerou e se houve esse doce momento, houve vida, ternura, encantamento, sentimentos que sempre acolhem a alma e iluminam o coração.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Rosas pela manhã...

Juliana acordou com leves batidas na porta de seu quarto e, ainda sem despertar totalmente, mandou que entrassem e ao abrir o olhos deu com uma braçada de lindas rosas vermelhas que lhe era entregue por Alcinda com um sorriso no rosto e um amável "bom dia, dona Juliana. Acabaram de chegar para a senhora". Surpresa, sentou-se na cama e procurou um cartão entre as flores, mas antes mesmo de encontrá-lo sabia quem as enviara.

Pediu à criada que colocasse as rosas num vaso e que o pusesse sobre a cômoda e ficou ali, ainda envolta pelos lençóis, ainda achando que era um sonho...

Encontrara-o na tarde anterior, quando saia do banco, aonde fora conversar com o gerente sobre um pequeno investimento. Olharam-se com espanto, como se não acreditassem que, após quatro anos estavam ali novamente, frente a frente, como na primeira vez em que se viram... Naquele primeiro dia houve um esbarrão, papéis esparramados pelo chão, pedidos de desculpas, olhos nos olhos, uma troca de palavras amáveis, que acabaram na troca de telefones e um jantar uma semana mais tarde naquele bistrô. Mas ele estava sendo transferido para a matriz da firma aonde trabalhava e ao deixar o país deixou também um imenso vazio na vida de Juliana que os e-mails e telefonemas diários não poderiam preencher. E-mails e telefonemas que o tempo foi se encarregando de rarear até finalmente deixarem de acontecer, mas ela não passaria um único dia sem se lembrar dele, de sua voz, de seu olhar, de seu sorriso, de seu abraço carinhoso...

Por isso, ao encontrá-lo na tarde anterior, tinha sentido o chão fugir-lhe sob os pés, o coração disparado, como se quisesse saltar pela boca, um desamparo sem fim... E no abraço... Ah, aquele abraço compensara todas as horas de solidão e tristeza que seu coração lhe impusera. E durante horas, naquele café, falaram de suas vidas, de suas saudades...

E agora, ali, olhando para aquelas rosas, Juliana sentia a vida recomeçar. Havia uma sensação de paz em seu coração, uma sensação de caminho finalmente encontrado bailando em sua alma...


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E os dias passaram depressa demais...


No dia da chegada, tudo é alegria, doce expectativa, festa... Foi assim no último dia 23, quando fui ao aeroporto de Cumbica para receber minha filha e meus netos que, após sete anos de ausência, vinham em visita ao Brasil. Foram quatorze dias de doce convivência, alegria, festa... Mas hoje, num caminho inverso, levo-os a Cumbica para seu retorno a Boston. Já antecipo as saudades e o vazio desta casa sem a presença deles e começo a contagem regressiva para os dias que lá passarei com eles no próximo verão do hemisfério norte, pois essa é uma maneira de não ficar aqui choramingando a partida dos meus amores de lá. Vou passar o dia todo em volta deles, é claro, e quando chegar a noite e o momento de lhes dizer até breve, vou fazer o possível para bancar a durona e tentar não chorar... será que consigo?... Sei não!... Mas como eles me conhecem bem e sabem que soltar umas lagrimazinhas de emoção faz parte de minha personalidade, nem vão ficar preocupados com isso... rs... E amanhã, quando abrir o Skype para que me contem como foi a viagem, o sorriso já vai estar de novo aberto em meu rosto... Coisas e jeitos de ser de uma mãe/avó emotiva.


sábado, 19 de dezembro de 2009

Na doce expectativa...

Neste sábado que antecede a semana do Natal amanheço cantando, não uma música natalina, ainda que ela, ou elas, pairem o tempo todo em minha cabeça, mas uma cantiga de ninar com a qual embalava minha menina, já lá se vão quarenta anos...

"É tão tarde / a manhã já vem / Todos dormem / a noite também / Só eu velo / por você meu bem..."

Um acalanto que Dorival Caymmi fizera para sua filha, Nana, e que eu costumava cantar para minha filha, Angélica, como cantei, mais tarde, para embalar meus netos. E porque esse acalanto hoje? Porque estou feliz, na doce expectativa da chegada deles ao Brasil, amanhã, logo pela manhã. Já preparei os quartos para recebe-los, claro que comprei vários livros de história e de aventuras para entreter meus gringuinhos, alguns jogos, crayons para desenhos, e uma programação de passeios e visitas durante os dias que aqui estiverem. Além de um cardápio especial, cuidadosamente elaborado, com comidinhas brasileiras e, alguns doces, que também, ninguém é ferro... rs... E muita fruta, que eles adoram.
E se, durante as próximas três semanas eu não me fizer muito frequente por aqui, por favor, me perdoem e lembrem-se que é por uma boa causa: paparicar meus amores do hemisférios norte... rs... Depois disso, eu prometo tirar a diferença... rs...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Diante da janela...


Numa dessas segundas-feiras de preguiça, em que até a alma pele acalanto, fico aqui olhando pela janela o dia meio encoberto, nem quente nem frio, tão morno quando meus pensamentos que não vão a lugar algum...Lembranças? Muitas! Saudades? Claro, tenho-as sempre, mas são boas companheiras. A música embala o espírito e acolhe o coração... Assim é sempre que as baladas românticas de Elvis enchem o espaço em que me encontro. E quando Elvis está presente, é sinônimo de que alma quer vagar pelo tempo, pelo espaço, mas só lhe permito essas escapadelas nas madrugadas insones. À luz do dia ela que fique por aqui mesmo, muito atenta ao que se passa ao redor de nós. E são tantos os acontecimentos. Chegam-nos pelo rádio ou pela TV, estão nas páginas dos jornais e revistas colocados sobre a mesa, vem pela internet, ou na voz de um amigo, ao telefone... O mundo gira vertiginosamente, os acontecimentos se sucedem, em turbilhão, e é preciso discernimento e calma para separar o que queremos, ou não, ouvir, o que merece, ou não, nossa atenção.
Mas esta semana é de preparativos para a chegada de filha e netos que vêm para as festas de Natal e Ano Novo, então não dá para ficar aqui, "al dolce fare niente", diante de uma janela. Deixo a preguiça de lado, deixo os devaneios para as madrugadas e volto meus pensamentos para a prosaica lista de compras de supermercado, para abastecer a casa, afinal meus gringuinhos adoram uma coisinha ou outra diferente que a vovó, apesar de não mais estar "in love" com a cozinha, vai sim fazer para eles. Com carinho, com açucar e com muito afeto.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Num passeio pelos blogs


Como o faço quase que diariamente, visitei todos os blogs amigos, fui lendo o que seus autores nos deixam por lá, uma imensa variedade de assuntos e temas, uns leves, outros um pouco mais carregados nas tintas, e por falar em tintas, uma delicia visitar os espaços que se dedicam às artes ou ao artesanato, de que gosto tanto.
E fui passeando pelos espaços, passando de um para outro, deixando um comentário aqui, outro ali e saio desse passeio de alma lavada, pelo tanto que apreendi de cada um deles. Encantada fico me perguntando como alguns podem escrever tão bem, com clareza e força, com delicadeza, com ternura, com agudez ou lucidez, cada qual a seu modo e ver que, em prosa ou verso, vão deixando lições de vida, retalhos do cotidiano, pedaços de sonhos, anseios, dúvidas, certezas ou incertezas, vão narrando fatos históricos ou histórias de suas vidas, vão falando de amor ou de dor, vão confidenciando seus desencantos
E tudo isso apresenta-se diante de nós, como se os blogs fossem uma pequena vitrine do mundo.
E fico a cada dia mais feliz em poder compartilhar de tudo isso, em poder fazer parte desse universo meio mágico que entra pela telinha aqui a minha frente e se aloja em meu coração...


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nos labirintos da alma


A alma feminina tem labirintos que nos levam a diferentes recantos, que nos conduzem ao sonho, à magia, ao encantamento. E vou por eles através dos tempos, vivendo e revivendo momentos, encontrando esperanças perdidas, vagando entre sentimentos desecontrados ou coerentes, descobrindo emoções, afagando afetos, envolvendo-me em amores perdidos, reais ou imaginários, vagando na imensidão de mim mesma...
E até chegar ao meu porto de destino vou caminhando meio às cegas entre incertezas, buscando novas passagens, tentando sempre encontrar a direção correta que me permita desfrutar de cada passo dado por entre essas estreitas passagens, cada vez mais estreitas, mas ao mesmo tempo cada vez mais belas, porque na medida em que vou avançando, vou percebendo mais claramento o significado desse caminhar e a beleza que ele encerra. Cada nova sala que encontro é única e ao parar nela para um pequeno descanço sinto na pele os efeitos, bons ou maus, que minhas escolhas vão deixando em mim... E cada dia de minha vida fica guardado em uma dessas salas.
Talvez por isso seja preciso vencer um labirinto para se entender a alma feminina. É nele que ficam guardados seus segredos...

sábado, 21 de novembro de 2009

Um sábado todo cor de cinza...


Céu carregado nesta manhã de sábado, parecendo que nem quer amanhecer, tão escuro está ainda lá fora. E como estamos em fim de semana prolongado, graças ao feriado de ontem, a cidade está em calma. Tanta calma que nem o bem-te-vi atrevido que me acorda todas as manhãs está enchendo o ar com sua alegria. Deve estar encolhidinho no ninho, com medo da chuva anunciada para hoje. Essa chuva que sabe ser benfazeja, quando cai serena, molhando a vida, mas sabe também ser cruel, devastadora, como anda sendo agora lá no sul do país, deixando tristeza e morte em tantas famílias.
E eu aqui, olhando através da janela a manhã cinzenta, a rua vazia, começo a tecer histórias. Essa velha mania de olhar para uma janela e imaginar a vida correndo por detrás dela... Do outro lado da rua, num terraço do último andar, um homem sentado junto a uma mesinha, lê o jornal que certamente não traz boas notícias - ultimamente são bem raras as boas notícias. Imagino sua mulher na cozinha, preparando um café que será tomado a dois, entre comentários e histórias divididas. Mais abaixo uma mulher limpa cuidadosamente os vidros de uma das janelas e chego a ficar arrepiada com o descuido dela ao se dependurar para que seu braço alcance um ponto qualquer na vidraça. Na parte baixa do edifício, os empregados fazem a limpeza da piscina, acertam o jardim. Volto meu olhar para as casas lá em baixo, tão bem cuidadas e tão quietas, sempre, dando mesmo a impressão de que não abrigam moradores.
E assim o dia vai acontecendo, com todos os seu matizes, com todos os seus caminhares. Um dia sem muitas expectativas, parecendo nascido para o aconchego da poltrona, o livro, a música, o bate-papo amigo, o se estar em boa companhia... Ai, ai, ai... melhor eu ir preparar meu café para que meu dia também comece, pois hoje sinto que se não abrir o sol que guardo escondidinho dentro de mim, para uma emergência, vai ficar tudo mergulhado na penumbra...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ficaram tantas lembranças...


Sabe, meu amor, conservo ainda no porta-chapéus, à entrada da sala, as suas bengalas, aquelas mesmas bengalas que você usava para apoiar seu andar na medida em que seu caminhar foi ficando mais lento, mais difícil. Sim, conservo-as no mesmo lugar, como se estivessem ainda à sua espera, talvez porque ainda ache dificil, após sete anos, pensar que sua ausência é definitiva. E ao retirá-las para limpar, uma a uma, ao colocar minha mão sobre o cabo em que sua mão se apoiava, uma extrema saudade foi se aconchegando dentro de mim e a lembrança da doçura de suas mãos nas minhas, de seu abraço, de seu aconchego foi me envolvendo. Sentei ali mesmo, no chão. e deixei que minhas lágrimas lavassem meu rosto e que meu coração chorasse, mais uma vez, a sua ausência...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

De volta pro meu aconchego...


De volta ao ninho, ao meu aconchego, de novo no meu canto...
E em São Paulo o mesmo calor, o mesmo dia abafado... Mas abrem-se as janelas, um ventinho bom corre pela casa, toma-se um sorvete, põe-se uma roupa leve e a andar pelos cantos favoritos, vai-se matando a saudade.
Aqui minha poltrona predileta, à minha espera para a leitura de um bom livro, de um poema. Lá o sofá diante da TV que aguarda o momento de me mostrar um bom filme, logo mais à noite. Acolá o meu terraço, onde o cheirinho bom de manjericão vai perfumar minhas noites ou madrugadas insones, enquanto namoro a lua ou converso com as estrelas... Este é meu canto... Daqui saio para o mundo, para a vida... Tão bom estar de volta!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A chuva cai la fora...


Onze horas de uma noite quente, abafada, indicando que não seria facil dormir. Mergulhada num livro, recostada em sua cama, no quarto que a acolhia quando estava naquela cidade, ela teve de repente sua atenção voltada para o barulho da chuva que finalmente chegava, batendo com força nas venezianas, caindo sobre o telhado, molhando jardins, praças e ruas, refrescando a noite.
Gostava da chuva. Gostava de ve-la cair, de ver suas gotas escorrendo nas vidraças, de dormir embalada por aquele barulhinho gostoso. Depôs o livro sobre a mesa de cabeceira, apagou o quebra-luz e deixou-se ficar envolvida, olhos fechados, ouvidos atentos ao cair da chuva la fora, mergulhando aos poucos em pensamentos, em saudades. em lembranças.

Numa doce sensação de aconchego, sentiu o sono ir chegando de mansinho, o barulhinho da chuva agora mais fraca ir ficando cada vez mais longe... ummmm, tão bom!... Foi quando o toque do celular veio tirar-la daquele doce torpor. Ao ver o numero que estava chamando, numa indecisão de momento, ficou sem saber se atendia ou não. Esperara tanto tempo por aquele telefonema e, no entanto, agora, ele lhe parecia tão sem sentido... Saiu da cama, aproximou-se da janela , entreabriu-a, deixando-se ficar ali, parada, olhos perdidos na chuva que caia sobre o gramado suavemente iluminado, até que o aparelhinho que segurava entre os dedos voltasse a ficar mudo.
E, perdendo a noção do tempo foi se deixando ficar ali, mergulhada em amargas lembranças, até que o cansaço a vencesse. Voltou para a cama com uma sensação de tristeza envolvendo-lhe a alma. Acendeu a luz, pegou o livro que deixara sobre a mesinha de cabeceira e tentou retomar a leitura, sabendo de antemão que teria mais uma daquelas solitárias noites de insônia...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A lua e eu...

(Dona Lua vista da janela de meu quarto)

A lua inteira, linda, ilumina minha noite, entra pela janela de meu quarto e ficamos as duas num namoro sem fim - a lua e eu. Noite de lua cheia, nem sei se de céu estrelado, pois meus olhos perdem-se na luz do luar e eu sonho...
Quintana já se indagava: " Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?" Pois é, meu querido poeta, tambem não sei, só sei da magia que ela exerce sobre mim, da ternura que coloca em minha alma, da paz que me envolve quando ela fica assim, como hoje, soberana num céu de primavera...

Flores e Saudades...

Rosas com perfume de saudades para os que se foram...

Hoje é um dia de saudades imensas, de revenciarmos os queridos que já não estão entre nós.
Minhas saudades, minhas preces e meu amor ficam com meu marido, meus pais, irmãos, avôs, tios, primos, amigos, que comigo partilharam caminhos e que foram se deixando ficar em seus destinos enquanto eu seguia cada vez mais cheia de saudades e de ausencias, cada vez um pouco mais sozinha...

sábado, 10 de outubro de 2009

Numa noite de sábado...


Tranquila noite de sábado!... Um friozinho gostoso, um bom livro, o som da guitara e da voz de meu filho chegando lá da sala, minha poltrona favorita, um xícara de chá sobre a mesinha ao lado... Um aconchego, uma paz, um momento a se sentir, a se viver, a se guardar...
Numa noite quase perfeita, só falta o luar entrando pela janela entreaberta e a brisa agitando suavemente a cortina...

Ah... na verdade, o que falta mesmo, é você...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Como se fossem feitos de cristal...


Quando a noite vai se transformando em madruga, quando minh'alma pede aconchego, quando meu coração soluça uma saudade, triste e só, caminho pela casa, visito o passado, abro o bau dos meus sonhos. Vendo-os em frangalhos, encolhidos, desacreditados de si mesmos, tento recompo-los cuidadosamente. Alguns parecem perdidos para sempre, outros pedem ajuda para renascer, outros ainda fingem-se brilhantes, pobrezinhos, sem saber que sonhos são apenas e tão somente desejos, aspirações que uma alma inquieta e tresloucada insiste em cultivar, mesmo sabendo que o tempo escorreu-se-lhe pelos dedos sem dó nem piedade e que com ele foram-se as oportunidades, as chances, a possivel realização... Então o que sobrou foram pedaços de uma vida que não houve, cacos espalhados pelo coração.
E enquanto a noite entra pela madrugada, recolho os cacos, tento cola-los com minha ternura, mas como se fossem feitos de fino cristal, estão irremiavelmente partidos. Guardo-os assim mesmo, na esperança de que um milagre aconteça... Um milagre de amor e de carinho que os refaça, que os recomponha...

domingo, 4 de outubro de 2009

De volta pra casa...


Bom, hoje termina esta minha temporada em Campinas. Logo após o almoço, meu filho vai me levar para São Paulo. De novo, de volta ao ninho... Ando com ares de ave migratória... risos... De cá para lá, ao sabor das saudades, vou de uma cidade a outra, de um hemisfério ao outro, eu que sou bicho caseiro, tenho vivido ultimamente, como diz minha querida amiga Mara, lá de Michigan, como se tivesse rodinhas nos pés... Coisa de mãe, que fazer? Mas hoje volto ao meu cantinho, ao meu terraço, a minha poltrona predileta, aos meus livros, Cds, amigos e amores de lá, já com saudades antecipadas dos amigos e amores daqui e, de contra-pesso, com saudades dos amigos e amores do outro hemisfério. Ah, que coração mais dividido!...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Seguindo os caminhos da vida...

É, são mesmo estranhos e inesperados os caminhos da vida e temos que aprender a segui-los com serenidade para que não nos pareçam intransponíveis, para que cheguemos ao nosso destino com uma carga bem positiva de atos, ações e sentimentos positivos, com a sensação de que valeu a pena cada passo, com nosso baú de memórias lotadinho de momentos significativos e assim possamos deixar atrás de nós um rastro que possa iluminar outros caminhos que cruzarmos na nossa jornada ou mesmo que sigam paralelos ao nosso.
Ah, claro que não é fácil, mas é bem compensador.

Por vezes, nas madrugadas insones, eu me pego viajando no tempo e no espaço para percorrer de novo trechos desse meu caminhar, para poder reviver momentos, encontrar pessoas queridas e com elas refazer alguns passos em longas conversas. Sento-me com elas em um banco qualquer colocado a beira do caminho e, parafraseando Mario Quintana, “eu mesmo preparo o chá para os meus fantasmas”... E enquanto saboreamos esse chá minha alma vai se aquietando e aprendendo a ser mais serena, mais doce,
E é com a alma renovada que retorno desse caminhar pelo tempo, pronta para continuar minha jornada amparada nos ensinamentos que a vida me proporcionou, no amor que sempre preencheu meus dias, na esperança de um amanhã sempre melhor, na imensa capacidade de sonhar que nunca me abandonou, na delícia de me sentir em paz comigo mesma, com a vida...
Assim vou seguindo meus caminhos... Doces ou tortuosos caminhos da vida...


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Meu refúgio


Os meus sonhos são refúgios... É neles que me escondo da solidão, do desamor, do tédio.
Neles o mundo quase alcança a perfeição e meu carinho, que se derrama por todos os lados, retorna a mim em forma de amor correspondido, de ternura infinita, de paixão, até... Neles ainda posso ter o frescor da juventude, a beleza de meus trinta anos e o encanto de minha maturidade.
Por tolo que isso possa parecer, é mergulhando nos meus sonhos que eu me encontro e deles consigo emergir com muito mais forças para enfrentar a pasmaceira de minha realidade. Graças a eles vivo sozinha, mas não sou solitária, não amargo em mim o desespero da solidão. Graças a eles a esperança ainda faz parte de mim, ainda norteia meus passos.
Ah, a magia dos meus doces sonhos... Ah, o acalanto de tua presença constante neles... A ternura do teu amor tão distante e tão próximo de meu coração... Vivesse eu mil anos e viveria meu coração em sonhos, em busca de tua presença...