
Distante do meu canto, distante dos meus amores e dos amigos que lá estão, minha alma, nostálgica, sente saudades... Saudade de quem lá está, saudade dos que se foram, saudade de mim, saudade de outros Natais, os da minha infância, os de outros tempos, quando ainda podia te-los todos em volta de mim, quando a saudade era (apenas) parte do coração dos mais velhos, dos que, como eu, agora, já tinham trilhada uma longa caminhada. Eu os olhava sem entender como seria possível dar tanto espaço ao que já havia passado, quando o presente era tão luminoso... Sem entender que ao longo da tal caminhada, o passado vai se tornando, por vezes, muito mais luminoso do que o presente, quando a ausência toma corpo e vai se tornando a mais constante presença.
Mas é tempo de Natal e vivê-lo bem, em companhia de pessoas muito amadas, é uma dádiva, um imenso presente de Deus. É, portanto, tempo de envolver as tais saudades em lindos e coloridos papéis de seda, atados com delicados laços de fita para que não se partam, e pendurá-las todas nos galhos da árvore, junto aos outros presentes... Transferidas de meu coração para a árvore, ainda assim estarão presentes, como presentes estão todos os que nelas vivem, mas será uma presença doce, iluminada, E quando na manhã do dia 25, na hora de abrir os presentes, eu as tomar de volta, será para solta-las, permitindo-lhes que voem leves pelo tempo levando meu carinho e meu sorriso aos donos de cada uma delas... Partem felizes por aqui terem estado, deixando a promessa de voltarem no próximo Natal, um pouquinho mais intensas...
E fico eu aqui pensando com os meus botões que Natal, além de uma festa de luz e cores, de alegrias e presentes, de amor ao Deus-Menino, é também um tempo de saudade, intensa e nem sempre doce saudade... A que habita hoje meu coração é bem doce e anda iluminando meus passos... E há de ser, sem dúvida, o mais valioso ornamento de nossa árvore.