floquinhos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um pensamento...

(Noite de Natal - Winchester, MA - 2008)

"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."

(Albert Camus)

A casa vestida para o Natal


No hall do elevador, a Sagrada Familia (feita em juta) e a alegria do Papai Noel dão as boas vindas. Até a carranca vinda lá do Rio São Francisco veste-se para o Natal e perde o ar assustador.



A árvore a um canto da sala, junto ao terraço e a lareira toda prontinha para receber Papai Noel



Esta pequena Vila de Natal começou com um presente da Mara, minha queridíssima amiga lá de Michigan e, na verdade, grande parte das casinhas e das figuras foram presentes dela em diferentes Natais. É muito linda.
Está montada na cristaleira, próximo à árvore.


Nas fotos acima, minha decoração para o Natal deste ano, aqui da casa. Como vou receber meus gringuinhos, que faz já sete anos que não visitam o Brasil, e quero que encontrem a casa da vovó bem alegre, andei colorindo cada ambiente da casa com a alegria das festas de Natal. E vou colocar os presentes sob a árvore e pendurar nela figuras do Papai Noel em chocolate, como costumava fazer com meus filhos.
Na verdade, vamos todos passar o Natal em casa de meu filho mais velho, em Campinas, mas quero que ao chegar os meninos se sintam acolhidos. Como todos os outros netos que sabem bem que a casa da avó é lugar de aconchego.
E assim seguem os preparativos para a mágica época de Natal...

(clicar nas imagens para ampliar)

domingo, 29 de novembro de 2009

Meus Poetas do Coração - Fernando Pessoa

SOU EU

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

Sou eu mesmo, que remédio! ...


Uma reflexão...


"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia primeiro do mês e de cada novo ano é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..."

(Mãrio Quintana)



Paixão no outono da vida...


Hoje presto uma pequena homenagem a uma querida amiga que, mal começando a transitar pelo outono da vida, sentindo seu coração explodir de paixão, feliz, escandalosamente feliz (graças a Deus, ainda se consegue ser feliz neste mundo maluco), confidenciou-me seu estado d'alma e seus receios. Tenho esta crônica escrita faz bem uns pares de anos e gostaria que ela lesse e assim soubesse que a coisa melhor que pode acontecer na vida de uma mulher é uma paixão tardia. E que soubesse também que vai provocar muita inveja nas pessoas mal resolvidas na vida, mal amadas, mas esse será um problema só delas...
E que o final da crônica não lhe pertence... Só vale aqui o estado d'alma que um dia aconteceu...
Pois minha amiga, viva seu momento. Seja muito feliz, pois você merece. Hoje o Em Prosa e Verso é todo seu.
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Paixão no outono da vida

Paixão é sentimento arrebatador, que chega rompendo barreiras, pondo fogo no corpo e na alma, não pede licença nem conhece medidas, não tem idade nem preconceitos, não mede distâncias nem tempo. E quando resolve se instalar num pobre coração que transita pelo outono da vida, pode fazer estragos irreparáveis, pois tira do sério esse coração e faz dele um brinquedo, um boneco de pano que ao fim acaba jogado, desbotado, sem encantos, para o resto de seus dias...
E quem, em sã consciência, pode supor que depois dos sessenta ainda se tenha tanta ânsia, tanto desejo dentro de um corpo já desgastado pelos desencantos da vida? Esse pobre ser passa então a esconder seus anseios e seus sonhos mais profundos, mais lindos, sonhos que encantariam qualquer adolescente, porque teme ser ridicularizado pela sociedade que nega aos mais velhos todo e qualquer direito de amar, de ser amado, de viver plenamente e de ser feliz. Essa sociedade cruel que trata seus velhos como objetos descartáveis, como algo que devesse ser escondido no armário, pelo simples fato de já não terem mais o viço e a beleza tão passageiros da juventude.
E no entanto, ao transitarmos pelo outono da vida, a paixão acontece em toda a sua plenitude! Como entre os mais jovens, ela chega e toma conta de tudo. Os dias parecem novamente cheios de cores, de luzes, de musicalidade. O olhar volta a ser brilhante e o sorriso paira nos lábios. Tudo fica mais bonito, mais alegre... Vive-se então um período pleno, muito mais intenso, porque traz o gosto desesperado do último sonho, da última esperança, porque na maturidade tudo tem um outro sentido, um outro sabor, uma vez que nessa fase da vida nós nos agarramos com unhas e dentes àquilo que nos faz viver. E existe algo que desperte mais o sentimento de vida que a paixão?
Mas se a um homem maduro esse sentimento ainda é permitido, ou melhor, tolerado, o mesmo não ocorre quando se trata de nós, mulheres! Nós não temos reconhecido esse direito! Não nos podemos atrever a viver essa doce loucura chamada Paixão... Se inadvertidamente formos atingidas por ela, passamos a ser encaradas como ridículas criaturas, como velhinhas safadas e sem vergonha, como possíveis esclerosadas. Negam-nos o direito à vida, negando-nos o direito ao amor... Mas que sabem eles, os pobres jovens, da vida e do amor, da paixão e da dor que ela pode nos causar? Pensam que sabem... Apenas pensam, como nós já pensamos um dia...
Acontece, porém, que a alma amadurece sem envelhecer e o coração, quando inquieto, não percebendo a passagem do tempo, continua ansiando por incontidas emoções que o elevem num doce sonhar, às alturas de um amor sem fim, que o faça perceber luz entre as trevas, sol em meio à chuva, luar por sobre as águas em noite de tempestade, sons de anjos cantando em meio ao burburinho de uma multidão, paz incontida de uma ternura tão grande que possa transformar este mundo insano e cruel em um delicado jardim florido onde possam ser depositados todos os seus anseios.
Paixão que explode no outono de uma existência é fase ímpar na vida de quem, já longe do "glamour" da juventude, sequer suspeitaria poder ainda se sentir tão viva, tão plena, tão mulher. Passada essa fase de paixão, restam as doces lembranças do que poderia ainda ter sido... Lembranças, que acalentam o coração, apesar de tudo... Acalentam o coração, mas não diminuem o vazio que se instala então... Um vazio que dilacera, que permanece para sempre...

Dulce Costa
Numa madrugada gelada, num dia qualquer do ano de dois mil e quatro, sob os efeitos de um luar imenso que se esparrama por sobre a cidade e invade minha alma.

sábado, 28 de novembro de 2009

Tenho pensamentos...


Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.

(Fernando Pessoa)

Cecília Meireles - Sempre um encanto

TIMIDEZ

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

— e um dia me acabarei.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Uma Rosa e um Pensamento...


Uma Rosa Para Uma Pitanga

A rosa era branquinha, mas nossa amiga Pitanga Doce anda tão cercadinha de azul que coloriu a rosa... rs... Para você, Mila, que bem merece o azul que anda a envolve-la.

E um pensamento de Cecília Meireles

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

A Poesia de Castro Alves

A DUAS FLORES

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um blog que recomendo (12)

(Esta é uma das lindas imagens que ilustram os textos do blog hoje recomendado)

Há algum tempo venho colocando aqui indicações para alguns blogs muito especiais. Hoje falo de um espaço elegante, bem cuidado, onde textos muito bem escritos, elaborados com muita seriedade e competência são-nos apresentados de maneira leve, muito agradáveis de se ler, trazendo assuntos variados, sempre colocados com discrição e bom gosto.
Lá, as sextas-feiras costumam ser dedicadas a postagens especiais. Em semanas alternadas junta-se ao nosso amigo Carlos Barbosa de Oliveira, do excelente Crônicas do Rochedo para, em seus respectivos blogs, lançarem as Crônicas de Graça, mostrando o ponto de vista de cada um sobre determinado tema e, nas outras sextas-feiras ela oferece às meninas, moças, jovens senhoras, mulheres maduras e senhorinhas que ainda não perderam o gosto pelo belo (rs...) um colírio de primeira linha para adoçar seus olhos (apesar da "tristeza" do lado masculino dos seguidores do blog. (rs)
Um espaço lindo, muito agradável de se estar e que recomendo sem medo de errar, criado e lindamente mantido pela Patti, o "Ares da Minha Graça" é minha recomendação de hoje.

Um pensamento


Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

(Machado de Assis)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um excelente blog fecha suas portas

Osvaldo está deixando a blogosfera

É com tristeza que, ao acessar o blog de meu querido amigo Osvaldo, do excelente "Mau, Triste e Feio" dou com a decisão dele de deixar a blogosfera, terminar com seu bolg. Não diz razões, apenas coloca esse fato que nos entristece pois fica, sem a menor dúvida, um imenso vazio em seu lugar.
Deixa-nos também a promessa de continuar presente em suas visitas e comentários, e a possibilidade de um retorno em um outro espaço que certamente será tão bom quanto este que agora se fecha.
E se algum de vocês ainda não passou por lá, aconselho que o façam antes que suas portas sejam fechadas, para poderem desfrutar de belezas, ensinamentos e de uma acolhida ímpar.
Até sempre, Osvaldo. Aguardamos seu retorno esperando que seja muito em breve.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Poesia de Drummond


MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Na minha madrugada, MARIO QUINTANA


CANÇÃO DOS ROMANCES PERDIDOS

Oh! o silêncio das salas de espera
Onde esses pobres guarda-chuvas lentamente escorrem...
O silêncio das salas de espera
E aquela última estrela...

Aquela última estrela
Que bale, bale, bale,
Perdida na enchente de luz...

Aquela última estrela
E, na parede, esses quadros lívidos,
De onde fugiram os retratos...

De onde fugiram todos os retratos...

E esta minha ternura,
Meu Deus,
Oh! toda esta minha ternura inútil, desaproveitada!...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nos labirintos da alma


A alma feminina tem labirintos que nos levam a diferentes recantos, que nos conduzem ao sonho, à magia, ao encantamento. E vou por eles através dos tempos, vivendo e revivendo momentos, encontrando esperanças perdidas, vagando entre sentimentos desecontrados ou coerentes, descobrindo emoções, afagando afetos, envolvendo-me em amores perdidos, reais ou imaginários, vagando na imensidão de mim mesma...
E até chegar ao meu porto de destino vou caminhando meio às cegas entre incertezas, buscando novas passagens, tentando sempre encontrar a direção correta que me permita desfrutar de cada passo dado por entre essas estreitas passagens, cada vez mais estreitas, mas ao mesmo tempo cada vez mais belas, porque na medida em que vou avançando, vou percebendo mais claramento o significado desse caminhar e a beleza que ele encerra. Cada nova sala que encontro é única e ao parar nela para um pequeno descanço sinto na pele os efeitos, bons ou maus, que minhas escolhas vão deixando em mim... E cada dia de minha vida fica guardado em uma dessas salas.
Talvez por isso seja preciso vencer um labirinto para se entender a alma feminina. É nele que ficam guardados seus segredos...

domingo, 22 de novembro de 2009

Dois significativos selos


Selo Amizade

Selo Blogueiros Unidos

O Em Prosa e verso recebe orgulhosamente dois lindos selos ofertados pela nossa amiga Ná (Fernanda Ferreira) do lindo blog "Na Casa do Rau". Dois significativos selos que, a partir de agora, ficarão carinhamente guardados no Livro dos Meus Selos, em nossa Galeria de Prêmios.

Muitíssimo obrigada, Ná.


Cecilia Meireles no meu domingo...

LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Drummond num domingo...


Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

sábado, 21 de novembro de 2009

Um sábado todo cor de cinza...


Céu carregado nesta manhã de sábado, parecendo que nem quer amanhecer, tão escuro está ainda lá fora. E como estamos em fim de semana prolongado, graças ao feriado de ontem, a cidade está em calma. Tanta calma que nem o bem-te-vi atrevido que me acorda todas as manhãs está enchendo o ar com sua alegria. Deve estar encolhidinho no ninho, com medo da chuva anunciada para hoje. Essa chuva que sabe ser benfazeja, quando cai serena, molhando a vida, mas sabe também ser cruel, devastadora, como anda sendo agora lá no sul do país, deixando tristeza e morte em tantas famílias.
E eu aqui, olhando através da janela a manhã cinzenta, a rua vazia, começo a tecer histórias. Essa velha mania de olhar para uma janela e imaginar a vida correndo por detrás dela... Do outro lado da rua, num terraço do último andar, um homem sentado junto a uma mesinha, lê o jornal que certamente não traz boas notícias - ultimamente são bem raras as boas notícias. Imagino sua mulher na cozinha, preparando um café que será tomado a dois, entre comentários e histórias divididas. Mais abaixo uma mulher limpa cuidadosamente os vidros de uma das janelas e chego a ficar arrepiada com o descuido dela ao se dependurar para que seu braço alcance um ponto qualquer na vidraça. Na parte baixa do edifício, os empregados fazem a limpeza da piscina, acertam o jardim. Volto meu olhar para as casas lá em baixo, tão bem cuidadas e tão quietas, sempre, dando mesmo a impressão de que não abrigam moradores.
E assim o dia vai acontecendo, com todos os seu matizes, com todos os seus caminhares. Um dia sem muitas expectativas, parecendo nascido para o aconchego da poltrona, o livro, a música, o bate-papo amigo, o se estar em boa companhia... Ai, ai, ai... melhor eu ir preparar meu café para que meu dia também comece, pois hoje sinto que se não abrir o sol que guardo escondidinho dentro de mim, para uma emergência, vai ficar tudo mergulhado na penumbra...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cecília Meireles na tarde...


FIO

No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.

Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.

Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...

— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Por favor, não me analise... (Mario Quintana)


Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.

Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou

Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados

Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço

Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

(Mario Quintana)

Ficaram tantas lembranças...


Sabe, meu amor, conservo ainda no porta-chapéus, à entrada da sala, as suas bengalas, aquelas mesmas bengalas que você usava para apoiar seu andar na medida em que seu caminhar foi ficando mais lento, mais difícil. Sim, conservo-as no mesmo lugar, como se estivessem ainda à sua espera, talvez porque ainda ache dificil, após sete anos, pensar que sua ausência é definitiva. E ao retirá-las para limpar, uma a uma, ao colocar minha mão sobre o cabo em que sua mão se apoiava, uma extrema saudade foi se aconchegando dentro de mim e a lembrança da doçura de suas mãos nas minhas, de seu abraço, de seu aconchego foi me envolvendo. Sentei ali mesmo, no chão. e deixei que minhas lágrimas lavassem meu rosto e que meu coração chorasse, mais uma vez, a sua ausência...

Meus Poetas do Coração - Drummond


As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Meus Poetas do Coração - Manuel Bandeira


O anel de vidro

Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…
Assim também o eterno amor que prometeste,
- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, –
Aquele pequenino anel que tu me deste,
– Ai de mim – era vidro e logo se quebrou…

Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste…
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste…
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Este poema de Bandeira é quase uma cantiga de roda. É como se fora uma ciranda que costumávamos cantar lá naquela rua antiga, em meus verdes anos, nas tardes ou noites de verão. Se fechar meus olhos vou poder ouvir, vindas la do fundo de minha alma alegres vozes infantis ao mesmo tempo em que, em minhas retinas, pouco a pouco vão se formando imagens São meninas de mãos dadas, brincando de roda... Reconheço-as! Lá está a Neyde, a Zizinha, a Zeza, a Tatinha, a Carmela... Estão todas lá... Estou entre elas. Sorriem enquanto cantam e vão rodando, rodando... Sorrio, canto e rodo com elas na ciranda, cirandinha...
E enquanto vou me envolvendo pela magia de um momento que foi meu, sem que sequer me dê conta disso, pego-me cantarolando, acompanhando a ciranda...

"Ciranda, cirandinha,
vamos todos cirandar...
Vamos dar a meia volta,
volta e meia vamos dar...

O anel que tu me destes
era vidro e se quebrou,
o amor que tu me tinhas
era pouco e se acabou..."

Será que, quando menino, Bandeira brincava de roda? Ou será que ficava a um canto, na curva de uma esquina, atrás de um poste, espiando as meninas em seus jogos, em suas brincadeiras, em suas cantigas de roda para, mais tarde, em doces lembranças daqueles tempos, recordando talvez um primeiro e platônico amor, tecer-lhe versos encantados?...
Ah, a alma dos poetas!...


Comemorando o aniversário de um amigo



Hoje temos festa na Blogosfera. Nosso querido amigo Osvaldo, do excelente blog "Mau, Triste e Feio" comemora seu aniversário. E não é um aniversário qualquer. Hoje ele completa 60 anos.
Completar sessenta anos é um marco na vida de qualquer pessoa. A príncipio assusta um pouco, mas uma vida bem vivida faz dessa data uma festa, pelo muito que caminhamos, pelos caminhos que foram abertos, pelo aprendizado que neles encontramos, e por sentirmos que continuamos inteiros e senhores de nós mesmos. E porque a vida fica muito mais preciosa.
E em homenagem a esse querido amigo, para que ele não pense que foi o único a ficar "meio incomodado" numa data como essa, deixo aqui uma pequena crônica que publiquei, em forma de brincadeira, e em resposta às brincadeiras de meus amigos e de meus amores, quando orgulhosamente completei "sessentinha"...
"Na noite em que fiz 60 anos, todos os temores do mundo se apossaram de mim. Fui para a cama cedo, na véspera, mas o sono não vinha. Li, resolvi palavras cruzadas... Ouvi muita música, e nada de conseguir dormir... Nem o Lorax deu jeito. O relógio marcava 3 horas na última vez que olhei para ele... Esse relógio inclemente, que não para, anunciando sempre e sempre a passagem de um tempo que eu gostaria de reter entre meus dedos...
Não fiquei perturbada ao completar 40, afinal eu ainda estava em forma... Quando chegou a vez dos 50, também não me abalei porque “existe tanta cinquentona enxuta”... Mas SESSENTA!? Onde é que já se viu sexagenária olhada com bons olhos? Nem eu mesma, olhando através do espelho, vou ter consideração para comigo... Não há mais esperanças... Não mais uma mulher interessante, apenas uma velhota simpática (na melhor das hipóteses).
Mas não entrego a rapadura. Vou continuar lutando contra a maré. Afinal, aqui dentro de mim, bem no fundo de minh’alma, eu não tenho mais que 30, no máximo 40... Ainda me sinto tão jovem! Epa! Ai! Fui levantar rápido e veio aquela dor na coluna. Nossa como demorei em preparar este almoço... O que foi que você disse? Não sei onde guardei minha caneta... Preciso ir ao oftalmo novamente, estes óculos só tem seis meses e já não servem para nada... Xiii! Aumentei de peso de novo... Meu Deus, quantos amigos e parentes de minha idade já se foram... E com todas essas ponderações eu ainda acho que, no meu âmago, tenho só 30 anos! É que (dizem) o coração nunca envelhece. Tudo bem, mas o corpo não é feito só de coração... Tem braços com bursite, pernas varicosas com reumatismo, cabeça com esquecimentos cada vez mais preocupantes... E dor pra tudo quanto é lado!!! E meus meninos? Todos tão “meninos” ... Já com cabelos brancos...
Algumas alegrias, porém, são inegáveis: Só chegando a essa idade podemos saborear a alegria de ter filhos vencedores, netos maravilhosos, alem de uma visão muito mais completa do mundo.
Mas, veja bem, tudo isso não invalida o fato de eu estar perturbada hoje, nem muda a veracidade nua e crua da seguinte contestação: A partir de hoje, EU SOU SEXAGENÁRIA.
Vou fazer uma revolução...Vou virar o mundo de cabeça pra baixo... HI! Só me faltava essa! Além de sexagenária, maluquinha!!! Será que tá pintando um Alzheimer no pedaço? SOCOOOOOOROOOO!!!

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PARABÉNS, OSVALDO!!! UM MUITO FELIZ ANIVERSÁRIO!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

De volta pro meu aconchego...


De volta ao ninho, ao meu aconchego, de novo no meu canto...
E em São Paulo o mesmo calor, o mesmo dia abafado... Mas abrem-se as janelas, um ventinho bom corre pela casa, toma-se um sorvete, põe-se uma roupa leve e a andar pelos cantos favoritos, vai-se matando a saudade.
Aqui minha poltrona predileta, à minha espera para a leitura de um bom livro, de um poema. Lá o sofá diante da TV que aguarda o momento de me mostrar um bom filme, logo mais à noite. Acolá o meu terraço, onde o cheirinho bom de manjericão vai perfumar minhas noites ou madrugadas insones, enquanto namoro a lua ou converso com as estrelas... Este é meu canto... Daqui saio para o mundo, para a vida... Tão bom estar de volta!

MEUS POETAS DO CORAÇAO - Vinicius de Moraes


SONETO DA FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


domingo, 15 de novembro de 2009

Mario Quintana - Sobre os domingos,,,


"No céu é sempre domingo. E a gente não tem outra coisa a fazer senão ouvir os chatos. E lá é ainda pior que aqui, pois se trata dos chatos de todas as épocas do mundo."


sábado, 14 de novembro de 2009

POESIA NA TARDE - JULIO CORTAZAR


RAYUELA


Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca,
Voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si
Por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta
Cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar,
Hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que
Mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida
Entre todas, con soberana libertad elegida por mí para
Dibujarla con mi mano en tu cara y que por un azar que
No busco comprender coincide exactamente con tu boca
Que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez mas de cerca y
Entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez mas
De cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre si, se
Superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos,
Las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose
Con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes,
Jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene
Con su perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos
Buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad
De tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca
Llena de flores o de peces, de movimientos vivos , de fragancia
Obscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos
En un breve y terrible absorber simultaneo del aliento, esa
Instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo
Sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como
Una luna en el agua.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Em dia de misticismos...


Um dia de misticismos, de crendices, de temores, de superstições... Sexta-feira 13!...
No Brasil, os terreiros estão em alvoroço, as encruzilhadas vão receber muitos "despachos", ninguém, ou quase ninguém vai passar debaixo de escadas, e todo mundo, ou quase, vai se persignar ao cruzar com um gato preto (pobrezinho). Sem contar que os astrólogos de plantão vão ter trabalho dobrado. Somos um povo dado ao misticismo, cultuamos nossas crendices.
Hoje encaro uma sexta-feira 13 como um dia qualquer, não carrego patuás, não me protejo atrás de uma figa de Guiné, não me importo com os pobres bichanos, mas tenho lá arraigadas em mim, mercê minha criação, algumas manias, confesso. Não deixo sapatos com as solas viradas para cima e digo a mim mesma que é por gostar de ordem nas coisas, por exemplo.
Mas minha infância foi pontuada por crendices que minha familia, vinda do interior, tinha como verdades. Minha avó sempre dizia que "na cama não se canta, na mesa não se assobia", pois dá azar. Uma de minhas tias, em dia de temporal, fazia cruzes de sal voltadas para a tormenta, escondia ovos, queimava palma benta, cobria espelhos, escondia tesouras e agulhas e rezava... Meu Deus, como rezava... Quase aos berros com medo que Santa Barbara não a ouvisse... Imaginem tudo isso na alma de uma criança!
Felizmente ainda consigo ver a beleza e a força da natureza quando explode em temporais... Conheço seu perigo, protejo=me, claro, mas embora liberta de suas crendices, não consigo evitar a lembrança dessa tia que chega forte num dia de temporal.
Hoje acho graça, rio-me daquelas situações que outrora apavoraram a alma de uma criança, mas é inveitável, em meio aos temporais, entre relâmpagos e trovões que ecludam sobre a cidade, pegar-me pensando em Santa Bárbara... Fé? Crendice? Força do hábito? Reação ao medo? Quem abe?

E vieram-ma a mente, uns versos de Fernando Pessoa que deixo aqui para vocês:

...
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê — eu não tinha medo —
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um blog que recomendo (12)

(Serra do Açor - Portugal)

Ainda dava os primeiros passos pela blogosfera, tateante, quando, num dos giros que costumava fazer pelos blogs desconhecidos dei com um espaço que chamou minha atenção. Falava das aldeias, das freguesias de uma região de Portugal, suas gentes, seus usos e costumes, mostrava suas festas, sua culinária. Fui ficando, curiosa, e assim fui conhecendo um pouco mais dessa terra que me é tão cara. Tornei-me seguidora do blog, comecei a deixar comentários, sempre respondidos gentilmente e, daí, foi nascendo mais uma boa amizade virtual. Falo de "O Açor", um blog criado e mantido carinhosamente pela Lourdes, uma pessoa sensivel que trabalha em prol da divulgação de sua terra, de seus habitantes, seus usos e costumes.
Para quem não conhece ainda esse blog, recomendo uma visita a nossa atenciosa amiga Lourdes em seu cantinho. Tem fotos, fatos, história, e a conhecida hospitalidade portuguesa. Vai encontrar ainda poesia, pensamentos, e deliciosas receitas tradicionais da terra. É, por tudo isso, um blog que recomendo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Seguidor número CEM!!! WOW!!!


Este selinho é um carinho do Em Prosa e Verso aos seus seguidores, amigos e leitores

O Em Prosa e Verso, muito feliz, acaba de receber seu centésimo seguidor, ou melhor, seguidora. É nossa nova amiga Flor, do lindo blog "Casa das Flores Muriqui". E para comemorar este fato, criamos um selinho que oferecemos carinhosamente a todos os amigos e leitores deste cantinho, agradecendo a cada um de vocês pela presença, pela amizade, pelo apoio e pelo insentivo que têm nos dispensado durante esse pouco mais de um ano na blogosfera.

OBRIGADA A TODOS VOCES

Em tempo de preparação para as Festas

(clicar nas imagens para ampliar

Chove... chove muito, como vem acontecendo nos ultimos dias por aqui. Um calor insuportável, um tempo abafado e depois uma chuvarada que tem até causado estragos em muitas partes do sul/sudeste do país. E eu aqui, aproveitando a chuvinha boa da tarde, para ler um pouco. Pego um revista e começo a adoçar meus olhos com os artigos de Natal já expostos em suas páginas. Ai a alma vai ficando leve. A casa, aqui, também já está em ritmo de Natal. A porta de entrada já ostenta um linda guirlanda - objeto de estimação de minha nora, pois foi presente de meu marido no primeiro Natal que eles passaram nesta casa, recén-construida na época, ainda em processo de decoração. Foi uma festa linda, e dai para cá, todos os anos, a guirlanda posta na porta lembra que é tempo de festa, é tempo de amor. E também o presépio já está montado. Um presépio onde figuras delicadamente pintadas em tons pastel mostram a religiosidade da dona da casa. Depois, pouco a pouco, vão aparecendo os festões pelos corrimãos das escadas, as figuras do Papai Noel em poses, cores e tamanhos variados, os laços de fita, as velas especiais, as luzes e, por ultimo, a árvore de Natal. E a casa fica engalanada, esperando a data mais bonita do ano acontecer.



Meus amigos devem me perdoar, mas Natal, para mim, é tempo de amor, de familia, de saudade, de ausência, de alegria e de tristeza, tudo a um só tempo. Desconfio que vá colocando textos por aqui até um tanto contraditórios, mas eles vão sugindo conforme o estado de espírito do momento. Por hoje, deixo com vocês as fotos primeiras de uma série que, fatalmente, tirarei daqui para a frente e, claro, sãs as fotos da guirlanda e do presépio, assim vocês compartilham dessa festa comigo, desde agora, afinal, Natal é, também, tempo de amigos...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MEUS POETAS DO CORAÇAO - Pablo Neruda


ME GUSTAS CUANDO CALLAS

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
Y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma,
Emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
Y pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio,
Claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan,
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.