floquinhos

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ ANO NOVO


Aos meus amigos, aos meus amores e aos leitores, destes meus escritos, ainda que ocasionais, meu carinhoso abraço e meus votos de FELIZ ANO NOVO. Que haja paz no mundo e no coração dos homens. Que haja amor por onde queira que andemos. Que haja sonhos povoando sempre nossos corações. E que seus dias sejam sempre azuis, suas noites sempre enluaradas, ainda que sob tempestades e borrascas, em cada momento de suas vidas.

FELIZ 2009 !!!!!!!!!!

UBIRAJARA E SUAS MOEDAS DE ANO NOVO


No Reveillon do Ano 2000, Ubirajara entregando suas moedas do Ano Novo aos filhos...

Ultima madrugada do ano. E eu aqui, de novo, insone, cheia de saudades, triste, precisando conversar com você... Vamos falar sobre o dia de hoje, sobre o último dia do ano?
Este sempre foi um dia especial para você. Acho que, sem contarmos o dia de seu aniversário, era o que você considerava mais importante e sempre ficava em alegre expectativa quando o final do ano se aproximava. Gostava tanto do Reveillon! E nem era por causa dos fogos, não... Era mesmo pela mudança de calendário, pelo que isso significava para seus sonhos e suas esperanças, sempre almejando um ano melhor do que o que terminava. E nossos Reveillons sempre foram em família, tradição que eu levei para nossa casa quando nos casamos e que você adotou de coração, lembra? E a essa nossa tradição você incorporou uma outra, trazida lá das Minas Gerais, e que era um costume de seu pai. Ele costumava distribuir moedas as pessoas amigas, na passagem de ano, para que nunca faltasse dinheiro no bolso ou na bolsa de quem as recebesse, na crença de que o que acontece no primeiro dia do ano vai se repetindo pelos outros 364 dias afora.... E você, religiosamente, juntava moedinhas durante a semana e na noite de Ano Novo, depois do champanhe, dos abraços, dos fogos, colocava a mão no bolso e de lá retirava um punhado de moedas e ia entregando uma a uma a cada um de nós, como moedas de boa sorte e desejando que nunca nos faltasse dinheiro para as necessidades cotidianas... Era um momento seu, e todos nós nos incorporávamos a ele com muito prazer, com muita alegria. Você era um homem de tradições... Tradição que nossos filhos continuam, em seu nome, a cada Reveillon. E que me emociona profundamente.
Lembra-se do quanto você desejava chegar ao ano 2000? Era como se você esperasse algum encanto especial, algum acontecimento, sei lá,. A medida em que o milênio se aproximava de seu final você foi ficando mais e mais animado, na expectativa de chegar ao ano 2000! Sempre fora um sonho para você, E tememos muito que isso não acontecesse quando na metade do ano de 1999 você foi acometido por um infarto. Mas você sempre foi um lutador e ali, cuidado por nosso filho, numa batalha feroz que ambos travaram contra a indesejada, vocês conseguiram uma trégua, um tempo maior para alegria nossa. Sabíamos que esse tempo poderia ser pequeno, mas era precioso, e seu amor pela vida venceu o tempo. Assim, naquele Reveillon para o Ano 2000 lá estávamos todos nós juntos, festejando o tempo e a vida. E lá estava você distribuindo suas moedinhas e sua alegria para todos nós.
Já no último Reveillon em que estivemos juntos, meu coração sangrando ao vê-lo ali em seu sono eterno, foi a sua vez de ganhar moedas. Só que não eram moedas da sorte, você já não precisava delas, mas foram as moedas que você pediu a nossa filha que colocasse em suas mãos para a travessia final. Vi, na madrugada do primeiro dia de 2003 nossa menina, com os olhos cheios de lágrimas, colocar duas moedas entre suas mãos inertes e sussurrar docemente: “Ai estão as moedas para o Caronte, pai, para que sua travessia seja cumprida. Vá em paz.” Ela cumpria assim um acordo que fizera com você dias antes e guardara em segredo até o momento final. Você lhe pedira que quando chegasse a hora de sua partida, que ela colocasse em suas mãos o óbolo para pagar o barqueiro, e ela atendia assim ao seu pedido... E mais uma tradição histórica fora cumprida...

Com amor, com saudades,

Dulce Costa
Winchester, madrugada o último dia de 2008.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

UM FRIO QUE NAO VEM DA NEVE...


Voltou a nevar nesta madrugada. Pouco, mas o suficiente para aquela sensação de frio maior ir se instalando em tudo. Nos telhados semi-cobertos pelo branco que semi-cobre os gramados que ainda guardavam sobre eles uma camada de gelo em que, pela ação da chuva, havia se transformado a ultima neve, os galhos ressequidos das árvores, tudo de novo com uma camadinha branca, tudo cinzento, frio... Os últimos dias tinham sido até amenos, mas hoje... ai, ai... haja lãs para cobrir o corpo, de novo...
E minha alma, nesta manhã de penúltimo dia do ano, acompanha o tempo e está sentindo também um friozinho cortante, Aquela inexplicável mas compreensível tristeza que ronda alguns dos meus dias e que me traz lembranças, umas doces, outras nem tanto, aquela sensação de abandono, de nunca mais... E fico aqui divagando, rememorando, indo e voltando no tempo, analisando momentos e atitudes de pessoas que talvez nem carecessem dessas análises, tentando recompor minha serenidade perdida mercê alguns pequenos enganos. Tenho travado uma luta comigo mesma, tentando mudar meus passos, alterar pelo menos um pouquinho minha forma de caminhar, mas devo confessar que não tem sido fácil. Fui, sou e acho que sempre serei inveterada sonhadora, incorrigível romântica, e isso trouxe sempre muito encanto aos meus dias, sempre me fez melhor, mas anda me incomodando um pouco ultimamente, já não me sinto tão a vontade com essas turbulências d’alma, principalmente com as decepções, com as mágoas, com a sensação de ter sido tola que isso acaba sempre me acarretando quando a realidade cai sobre mim. Porque a realidade nem sempre é delicada para com quem vive, ainda que por apenas um curtíssimo período, no mundo da lua... Ao se voltar a ela o que se encontra é um vazio ainda maior do que aquele ao qual já estávamos habituados e que já quase nem nos incomodava mais, o que nos aguarda são dias sem graça, sem cor, aonde a musica que nos encantava nos faz chorar, aonde a lua que nos enfeitiçava só nos põe tristes, e ainda por cima vamos acabar por perceber que os lugares, os cantos da casa que eram pura magia, um terraço, uma poltrona que foi mágica, uma lareira, enfim, os pequenos e doces lugares de nosso aconchego, foram transformados em lugares aonde já não nos sentimos em paz, em espaços que já não nos acolhem...
Mas não fica arrependimento algum pelo sonho, pela ilusão do momento, pela credulidade tola, porque a alma viveu momentos, o coração descobriu-se ainda pronto para abrigar sentimentos doces, os dias foram de luz, as noites de muito luar, a vida foi encanto, naquilo que nem foi vivido, mas apenas pensado... Assim como o disse Fernando Pessoa em seu “Tenho tanto sentimento”,,,

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

(Fernando Pessoa)

Dulce Costa
Winchester, 30 de dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

UMA COLEÇAO MUITO LINDINHA

Aqui apenas seis dos presepios da coleção

(Para ver as fotos em tamanho maior, basta clicar sobre elas)


Uma vista da lareira, com os presépios fotografados acima e alguns objeto de arte trazidos da Africa, do méxico...


Ontem fomos a um jantar de final de ano na casa de amigos de minha filha. Foi uma noite realmente agradável, principalmente pela forma como fomos acolhidas. A casa muito linda decorada com muito bom gosto para a ocasião, tendo como ponto principal uma árvore natural, um pinheiro lindissimo, que chegava ao teto, cheio de luzes, bolas, e enfeites delicados. Alguns anjos, nutcrackers, fitas, delicadas guirlandas foram espalhadas pelas enormes salas, mas a lareira, para mim, foi um lugarzinho a parte, toda decorada com a coleção de presépios, em miniatura, que a dona da casa adquiria, vindos de diversos paises das Americas e da Africa. Pedi licença para fotografar e coloco aqui para vocês, porque gostei muitissimo deles e gostaria de dividir isso com vocês. Apenas como curiosidade.

FERNANDO PESSOA - RETICENCIAS


ARRUMAR A VIDA, por prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!

Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem – um antes de ontem que é sempre...
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa nenhuma que serei.
Produtos românticos, nós todos...
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.

Assim se faz a literatura...
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros não realizam nada e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também sou eu.
Vendeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela por onde não vi a vendeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso que ainda não acabara, inclui uma crítica metafísica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...

ANO NOVO, VIDA NOVA! VOCE ACREDITA NISSO?


Estamos em contagem regressiva para um novo ano... E desde sempre, quando chegamos por estes dias, recomeçamos a imaginar novos projetos, firmamos novas intenções para uma vida melhor, como se bastasse a mudança no calendário para que o mundo todo mudasse, para que nossa personalidade se moldasse aos novos dias e, por si só, sofresse uma metamorfose e assim conseguíssemos re-arranjar nossas vidas... E o mundo, a cada vez que um novo ano começa, enche-se de esperanças, de fé em possíveis melhores tempos. E os dias vão passando, os meses vão se sucedendo, chega um novo ano e lá estamos nós, de novo, embuidos de esperanças para mais um ano. Mas o que seria de nós, pobres e frágeis criaturas, sem a esperança no futuro, sem o sonho em dias melhores? Imagino que faça parte da natureza humana esse acreditar em si mesmo e em seus semelhantes, esse esperar sempre por dias melhores, esses fazer projetos que sabemos de antemão que não conseguiremos cumprir, ou por situações adversas que fogem ao nosso controle, ou por falta de tenacidade pessoal para chegarmos lá. Mas projetamos... Mas sonhamos... E esse projetar, esse sonhar, vai nos impulsionando para novos rumos, vai nos fazendo atravessar o tempo acreditando em nós mesmos e na própria humanidade.
Estamos em tempo de sonhar, de esperar... E o que sonhamos para esse novo ano? A humanidade, como um todo, sonha principalmente com a paz e com a igualdade entre os homens, sonha com a recuperação de seu planeta, sonha com uma evolução sempre para melhor da espécie humana. O homem comum, esse sonha com sua paz interior, com o bem estar próprio e o de sua família, tendo aspirações perfeitamente realizáveis que marcarão sua passagem pela vida. Mas a humanidade não é composta apenas de homens comuns... Há toda uma gama de personalidades por ai... E é exatamente aonde começam os conflitos. Porque os poderosos sempre acham que precisam de mais poder - ah, é incomensurável o fascínio que o poder exerce sobre a alma humana... Quantos idealistas, desses que dariam a vida por um ideal de justiça e igualdade, ao se verem guindados ao poder, mercê mesmo essas suas idéias, rendem-se fascinados a esse novo status e esquecendo os motivos que os levaram até lá, acabam igualando-se aqueles que tanto criticaram.... Preciso citar exemplos? Creio que não...
Mas comecei num assunto, enveredei por outro, acho que me perdi um pouco, assim como nos perdemos em nossos projetos de ano novo, que são tantos que geralmente ficam soltos no ar, ou se desmoronam feito castelos de areia ao sabor das primeira onda...
Eu já nem faço mais projetos de ano novo. E faz tempo, viu? Apenas sigo meu curso, vou la por meus caminhos, com esperança e fé, tentando não esmorecer, mesmo que o ano que se finda tenha sido, como este, bastante difícil. Foi difícil, mas passou... o ano passou, as dificuldade talvez não... Elas não acontecem pelo calendário... Elas acontecem pelas circunstâncias da vida, pela intransigência do ser humano, pelas inconstâncias dos homens, e por tantos e tantos fatores intrínsecos a cada um de nós...
Posso não fazer planos apenas baseada na troca de calendário, mas sempre vou desejar que os próximos doze meses sejam melhores e mais felizes para todos nós... Sempre vou desejar a cada um de vocês, um muito Feliz Ano Novo.

Dulce Costa

domingo, 28 de dezembro de 2008

UM DOMINGO COR DE CINZA

(da janela do quarto dos meninos)

(da janela do meu quarto)

No inverno de Winchester, esta semana, as temperaturas andaram mais amenas, ficaram um pouquinho acima de zero, e vieram as chuvas. Essa conjunção de temperaturas um pouco menos baixas e chuvas, resultou no derretimento da neve e, consequentemente, em nova mudança da paisagem. E hoje o dia amanheceu cinza, com cara de triste, e continua assim, todo nublado, prenunciando novas chuvas. Deixo duas fotos aqui, tiradas da janela do meu quarto e da janela do quarto dos kids. mostrando essa paisagem para nós, que vivemos num pais tropical, bem diferente.

sábado, 27 de dezembro de 2008

CECILIA MEIRELES - PARA SUA NOITE


Cantar de Vero Amor


Assim aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!

E assim de longe ouvirás a cantiga
da tua Amada, da tua Amiga.

Abrem-se os olhos_ e é de sombra a estrada
para chegar-se à Amiga, à Amada!
fechem-se os olhos_ e eis a estrada antiga
a que levaria à Amada, à Amiga.

(Se me encontrares novamente, nada
te faça esquecer a Amiga, a Amada!

Se te encontrar, pode ser que eu consiga
ser para sempre a Amada Amiga)

E assim aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!

E talvez apenas uma estrelinha siga
a tua Amada, a tua Amiga.
Para muito longe vai sendo levada,
desfigurada e transfigurada.

Sem que ela mesma já não consiga
dizer que era a tua profunda Amiga.

Sem que possa ouvir o que tua alma brade:
que era a tua Amiga e que era a tua Amada

Ah! do que disse nada mais se diga.
Vai-se a tua Amada_vai-se a tua Amiga!

Ah! do que era tanto, não resta mais nada...
Mas houve essa Amiga!mas houve essa Amada!

LEMBRANÇAS NA MADRUGADA


Num dia de aniversário, muita saudade...

Nas minhas madrugadas insones faço incursões pelo tempo, viajo em minha memória, atravesso espaços, transcendo, recebo carinhosamente meus doces fantasmas, meus amores que já se foram, para longas conversas... Hoje a madrugada é de saudades, de lembranças, de voltar no tempo e reviver momentos, retomar emoções. É madrugada de mais um 27 de dezembro, uma data muito especial porque era a data do aniversário do Ubirajara, o meu Bira. Então, é com ele que hoje converso...

Dezembro sempre foi um mês especial em nossas vidas. Num dia 14 dele, nos casamos, no dia 27 sempre festejávamos seu aniversario, alem de ser mês de Natal, marcar o fim de cada ano... E foi dezembro o mês que a vida escolheu para leva-lo de mim...
Hoje fecho meus olhos e o imagino aqui, ao meu lado, neste pequeno mas acolhedor quarto, na casa de nossa filha e quero conversar um pouquinho com você, meu amor, como o fazíamos antigamente, quando o sono nos abandonava e, lado a lado, na nossa cama, mãos entrelaçadas, tínhamos longas e doces conversas, lembra? Era tanto assunto! No principio falávamos de nos, de nossos sentimentos, de nossos sonhos, de nossos planos para o futuro, mas logo foram chegando nossos filhos e tínhamos então muito mais assunto, muito mais casos, muito mais histórias para contar e a noite ia avançando e quando, mansamente, o sono ia fechando meu olhos, ouvia lá longe sua voz perguntando baixinho: “Duzinha, minha flor, já dormiu?”. Por vezes eu nem respondia só me aconchegava mais em você que, como num ritual passava a mão por meus cabelos dizendo ”dorme com Deus, minha querida” e meu sono era tranqüilo, porque me sentia protegida.
Ah, como foi difícil conseguir dormir depois que você se foi... Eu me encolhia no meu lado da cama, sentindo ainda maior o vazio que você deixara, fechava meus olhos e ficava ali, imóvel, esperando o suave toque de suas mãos em meus cabelos, o som de sua voz, em quase sussurro, em meus ouvidos... e tudo o que tinha eram as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e a dor da ausência que apertava meu coração...

E lá se foram seis anos desde seu último aniversário, quando já quase se despedindo da vida, pediu-me que fizesse um linda festa e que convidasse seus melhores amigos. Queria um almoço de aniversário, escolheu o menu, bacalhoada, e quando chegou a hora, fez questão que o enfermeiro o levasse para a sala, para participar do almoço... Entendi depois que você só estava querendo uma festa de despedida, só estava querendo abraçar cada amigo, cada filho, irmão, netos, enfim, todos os seus amores, antes de nos deixar... E assim foi feito, e vi, engasgada, cada um deles receber seu abraço e uma palavra sua de agradecimento, de despedida.

Meu amor, você deu a todos nós uma lição de força e coragem, uma lição de amor a vida e de como sair dela com dignidade e respeito pelo que ela lhe ofereceu. E sempre que chega este dia meu coração se afoga nas saudades, minha alma se encolhe nessa ausência dolorida que o tempo, apesar de sempre se encarregar de mitigar nossas feridas, de nos mostrar novos caminhos, de amainar nossas mágoas, apesar disso tudo, não conseguiu ainda amenizar dentro de mim...


Que Deus o tenha em Suas mãos, meu amor...


Dulce Costa
Winchester, 27 de dezembro de 2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

COM O QUE SONHA UMA ALMA?


Minh’alma vaga triste pelos meus sonhos, em busca de um alento, de um afago nesta noite fria, silenciosa, Talvez ande a procura do que, sei bem, jamais encontrará.
E fico me perguntando se haverá mesmo, para cada um de nós, uma alma gêmea perdida na imensidão deste universo. E se houver? Estará ela também buscando sua outra parte? Algumas vezes pensei te-la encontrado pela vida, aqui, ali, ainda menina-moça, jovem, mulher madura, mas foram almas que, afins, passaram pondo encanto em meus dias, ternura em meu coração, para depois transformarem-se em ausências doloridas, em decepções, mágoas, saudades. E a cada vez ia crescendo um pouquinho mais meu desencanto.
Mas que pode uma mulher já no outono da vida desejar ainda para si? Ah, tanta coisa! Deseja, antes de tudo, doce companheirismo, uma alma semelhante, já que concluo que alma gêmea é pura utopia. Imagina que em alguma parte deste nosso mundo possa haver outro alguém cuja alma se pasme diante da beleza de um pôr-do-sol, que se encante com um amanhecer, que se deslumbre com um luar. Alguém que deixe seus olhos se iluminarem na imensidão das águas do mar, que goste de sentir a chuva cair em seu rosto, alguém que se sinta menino o bastante para caminhar de mãos dadas e suficientemente maduro para entender seus silêncios, que ame poesia, respire musica, e que assim faça de cada momento um tempo especial. Alguém que, mesmo tendo percorrido áridos e duros caminhos, continue acreditando em seus sonhos e lutando por eles. Alguém que valorize o que somos, bem mais do que o que temos. Alguém que seja alma, coração, sensibilidade, ternura...
E, finalmente, alguém que esteja a espera de outro alguém, para juntos descobrirem os pequenos encantos de se falar sobre tudo e sobre nada, de se ficar um longo tempo em silêncio, lado a lado, apenas ouvindo o barulho das ondas quebrando na areia, numa praia deserta, ou da chuva caindo sobre os telhados, e que ternamente divida com ela um chá ao cair da tarde, um jantar a luz de velas, um cinema, um teatro, um passeio sem destino, enfim esses momentos que preenchem a alma e dão sentido a vida.

De novo, utopia? Pode ser, mas com o passar do tempo, depois de um longo caminhar, até adquirimos o direito de acreditar em utopias...
Posso quase afirmar que isso é tudo o que uma mulher já amadurecida sonha poder ainda encontrar um dia em seus caminhos... Porque é nesses sonhos que minh’alma mergulha na imensidão das madrugadas insones...


Dulce
Winchester / 26 de dezembro de 2008

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

VERSOS DE NATAL


Não sei em que momento pode ter sido criado este poema, mas o título "Versos de Natal" ligado ao tema, incentiva minha imaginação e fico aqui supondo o poeta, recém saído da cama numa manhã de Natal, ainda não totalmente desperto, diante de um espelho, desses de corpo inteiro que se usava ter antigamente nos quartos, surpreendido com a imagem que lhe era devolvida, cabelos (talvez já poucos) em desalinho, rosto marcado pelo tempo e pelo sono, vestido num daqueles antigos pijamas, completamente amassado, pés descalços sobre o tapete... Olha-se e, como costuma acontecer depois de uma determinada idade, percebe que a imagem que lhe é devolvida não corresponde aquela que tem de si mesmo, mas ainda sob a magia do Natal olha mais profundamente para essa imagem e consegue ver através de si mesmo a juventude que o tempo levou apenas de seu corpo físico, mas que se mantém inteira em sua alma. Reve-se menino, em outras manhãs de Natal e inicia então um dialogo consigo mesmo através do espelho... Um desses diálogos que só os poetas podem ter consigo mesmos. E ficam então os versos abaixo para a posteridade, para despertar em nós, pobres mortais, considerações sobre o tempo que leva nossas vidas, mas não consegue roubar nossos sonhos...


Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.

Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera de Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

( Manuel Bandeira)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

MINHA MENSAGEM DE NATAL PARA VOCES


É tempo de confraternização, tempo de paz, de amor, de solidariedade. Tempo em que o coração dos homens, tocado pelo encanto do momento, torna-se mais doce, mais cheio de esperanças. Tempo em que buscamos a presença querida de nossos melhores amigos, de nossos amores, para com eles dividirmos toda essa emoção, toda essa alegria que nos envolve nesta época e que nos traz a figura do Menino-Deus como esperança para o mundo.
Assim, mergulhada nesse Tempo e tocada pelo Espírito do Natal, venho trazer a cada um de vocês, meus amigos e meus amores, bem como a cada leitor que por aqui passar, um afetuoso abraço, desejando que haja muita Paz em seus corações, muita Luz em suas almas, muito amor a envolve-los nesta Noite Santa.


Sejam doces seus momentos de confraternização e amizade.

FELIZ NATAL !

MERRY CHRISTMAS !

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ATRAVES DAS JANELAS...


Vista de uma janela do andar de baixo, com as árvores cobertas de neve, num entardecer após a nevasca


(Clique nas imagenw para amplia-las)

E, dois dias depois, as mesmas árvores vistas de uma janela do andar superior, numa visão impressionante da luz do sol sobre os galhos congelados, mesclando-se com as incríveis estalactitas formadas pelo gelo que derrete do telhado.

PRESEPIO - TRADIÇAO DE NATAL

(Presépio carinhosamente montado por minha nora, Maria Antonieta, a cada Natal)

Entre as tradições de Natal, o presépio e, sem dúvida, a mais antiga e para muitos, o Natal sem um presépio não está completo. Muitas famílias mantém essa tradição passada de pais para filhos e as peças que os compõem, por vezes, atravessam gerações.
Não significando apenas a Sagrada Família, mas toda a Natividade, são montados cenários diferentes de acordo com cada família, cada igreja, cada região, cada cultura, dando a cada presépio características próprias.

A Natividade era festejada desde o Século III, por cristãos peregrinos que visitavam a gruta de Belém, mas a criação do primeiro presépio é atribuída a São Francisco de Assis quando, em 1223, montou em uma gruta da floresta na região de Greccio, Itália, a encenação do nascimento de Jesus. Os fiéis foram convidados para a missa e ao chegarem à gruta encontraram a cena do nascimento do Menino-Deus, vivenciada por pastores e animais. Com a morte de São Francisco, dois anos depois, a representação continuou sendo mantida pelos Frades Franciscanos, e foi a partir de então que as imagens passaram a ser utilizadas.
No Brasil, deve-se a José de Anchieta a primeira apresentação de um presépio, feita aos índios e aos colonos portugueses, no ano de 1552.

Um texto bastante interessante e bem mais completo pode ser encontrado no link abaixo. (Recomendo)


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

DOIS MOMENTOS DE UM MESMO CENARIO

Neste inverno rigoroso aqui em Massachusetts, tenho vivido experiências incríveis para alguem que vem de um país tropical, cheio de sol, apesar de viver em Sampa, aonde me queixava do frio e da garoa, que nem mais existe, imaginem só... Aqui peguei um outono com garoa e temperaturas rondando os zero graus e vivo um inverno para mim memorável. Mas estou adorando esta experiência. Estou vivenciando uma época muito linda, mês de dezembro, magia do Natal, luzes, cores, música no ar, e a neve chegou transformando cada casa da cidade num pedacinho de um lindo cartão postal, principalmente a noite, quando tudo se ilumina e a maravilhosa decoração das casas passa-nos a sensação de estarmos no mundo da fantasia dos filmes de Hollywood.
E eu que pensava que não sairia de casa porque não aguentaria o frio, ando saindo para as compras de Natal com minha filha, apesar da neve, e isso tem me propiciado participar da vida local, entender usos e costumes, viver o momento com um certo encantamento
Ontem, por exemplo, tivemos uma nevasca, e foi um espetáculo incrível, mas assustador. Já hoje o dia amanheceu azul, lindo colorindo tudo com nuances delicadas, como se pode ver nas fotos abaixo. E se quiser ve-las em tamanho maior, é só clicar sobre elas.



Ontem, muita neve e vente - tudo cinza


Hoje, ceu azul, paisagem amena, delicada.

domingo, 21 de dezembro de 2008

ORIGENS DA ARVORE DE NATAL


Há várias versões para a origem da árvore de Natal, a maior parte delas indicando a Alemanha como país de origem, dando a Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma Protestante do século XVI, o crédito por sua criação quando montou em sua casa um pinheiro enfeitado com velas.
Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam ama trilha que percorria, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Maravilhado com a beleza que tinha diante de seus olhos, arrancou um dos galhos, levando-o para casa. Colocando o pequeno pinheiro num vaso com terra, decorou-o com velas acesas nas pontas dos ramos e alguns papeis coloridos para que ficasse como ele vira lá fora, chamando sua família que ficou extasiada diante daquela arvore iluminada. Lutero queria, com isso, mostrar aos filhos como deveria ser o céu na noite da Natividade.
Uma outra versão nos da conta de que São Bonifácio (675-754), um monge beneditino, durante uma de suas pregações, derrubou um carvalho para convencer os fiéis de que, ao contrario do que supunham, essa não era uma árvore sagrada, como era crença geral. Diz a lenda que, ao cair, o carvalho esmagou as árvores menores que se encontravam ao redor, só sobrando um pequeno pinheiro que foi então dedicado a Jesus Cristo.
Alguns relatos provenientes da Alsácia (França), em meados do Século XVII falavam sobre o florescimento de árvores no dia do nascimento de Jesus, o que teria levado os cristãos da antiga Europa a ornamentarem suas casas no dia de Natal com pinheiros, árvore que permanece verde até mesmo nos invernos mais rigorosos, sob a neve.
E conta-se ainda que, na Roma antiga, máscaras de Baco eram penduradas em pinheiros, em comemoração a “Saturnália”, festa que coincidia com o nosso Natal

No link abaixo, num interessante texto, uma versão diferente das origens da árvore de Natal (recomendo).


sábado, 20 de dezembro de 2008

UM POUCO DA HISTORIA DE PAPAI NOEL


A lenda do Papai Noel surgiu inspirada em São Nicolau, um bispo nascido na Anatólia, no sudoeste da Ásia, aonde hoje é a Turquia. Conta a história que ele nasceu no ano de 350 e bem cedo tornou-se bispo. Canonizado pela igreja católica, foi escolhido como santo patrono da Rússia e da Grécia e é o padroeiro dos marinheiros e das crianças.
Segundo a lenda, ele costumava deixar saquinhos com moedas ao lado das chaminés das casas pobres que visitava, vindo talvez dai a tradição dos presentes deixados por ele na noite de Natal.

Foi na Alemanha que se deu a transição de São Nicolau para Papai Noel, por ação das igrejas protestantes, tornando assim sua imagem definitivamente associada as festividades do Natal e as costumeiras trocas de presentes, inicialmente no dia 6 de dezembro, Dia de São Nicolau. E dai espalhou-lhe pelo mundo.

Em 1822, no poema “A visit from St. Nicholas”, Clement Moore retrata um Papai Noel passeando num trenó puxado por renas, meio de transporte que era utilizado na Escandinávia por essa época. E essa imagem permanece até hoje.
Até o final do século XIX, Papai Noel era represetado com barbas mais longas e vestido com uma roupa de inverno, na cor marrom. Numa campanha publicitária da Coca-Cola, em 1881, ele aparecia com uma roupa, tambem de inverno, vermelha e branca (as cores do refrigerante) e o gorro vermelho, com pompom branco, na cabeça. A campanha publicitária fez um enorme sucesso, lancando a nova imagem do Papai Noel para todo o mundo. Essa mesma imagem que povoa os sonhos de nossas crianças, fazendo do Natal um mundo encantado de magia e beleza.


Como é conhecido o Papai Noel nos outros paises:

Alemanha – Kriss Kringle (a Criança do Cristo)

França – Pere Noel

Estados Unidos e Canadá - Santa Claus

Itália – Befana ou Babbo Natal

Inglaterra – Father Christmas
Costa Rica, Colômbia e partes do México – El Nino Jesus

Rússia - Grandfather Frost or Baboushka
Portugal – Pai Natal

NATAL NA NEVE

Encantada com a claridade que havia na madrugada, causada pela alta camada de neve que caira sobre Winchester (refletindo a luz), não resisti e, da janela do meu quarto, fotografei a cena.



E meu amigo Ney, lá de Niterói, usando a criatividade que Deus lhe deu e os recursos do Photoshop, transformou a foto num lindo cartão de Natal, como se pode ver na imagem abaixo.


(Clique nas imagens para amplia-las)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

LADAINHA DO TEMPO - CARTA A UM AMIGO



Meu caro amigo, boa noite.


Sexta-feira novamente!
Parece que o tempo acelera seu caminhar! Não sei se nos ocupamos demais e tornamos nossos dias pequenos para tantos afazeres, mas nem creio que seja isso, pois tenho estado bem tranqüila ultimamente, sem compromissos nem tarefas urgentes e, mesmo assim, quando me dou conta, a semana já passou. E com isso, tem-se a impressão de que a vida se nos escorre por entre os dedos.

Eu achava muito engraçado quando, ainda jovem, ouvia as pessoas mais velhas dizerem que a vida tinha passado num átimo e que de repente tinham se apercebido que estavam ficando velhas. E eu me indagava como seria isso possível... E eis-me aqui a repetir as mesmas coisas que meus "antigos" diziam... rs... A vida, como a história, sempre se repete. Nós é que pensamos que somos únicos, não é mesmo?

Lembro-me de sempre rir quando meu tio João, ao ouvir uma das valsas de sua juventude, suspirava profundamente e, com um tom de saudade na voz, dizia: "Ah, meus vinte anos"... E eu nem teria uns vinte anos, por essa época, em véspera de casamento, a vida me sorria e eu não conseguia entender o porque daqueles suspiros de saudade. Aos vinte anos pensamos que tudo sabemos, e só depois percebemos o quanto somos tolos e o quão pouco conhecemos da vida por essa idade.
Mas, olhando para trás, vemos que a vida caminhou em seu passo certo, vemos que construímos nosso mundo, criamos nossos filhos, desfrutamos de momentos lindos ou dolorosos, tudo em seu tempo. Então porque essa impressão de que pouco vivemos? Ah! isso também não deve se constituir em segredo! Seguramente a vida é um bem tão precioso que sempre queremos mais e mais dela participar.
Aí, meu amigo vai me perguntar: "Mas, a que vem essa ladainha toda a respeito da passagem do tempo?" Como resposta eu lhe farei outra pergunta: "Você já acordou achando que estava com 100 anos?" Pois hoje acordei assim, acredita?
Meus humores com relação ao tempo são bem variados... dias há em que me sinto quase uma adolescente, com o coração cheio de sonhos e de esperanças, em outros eu me sinto uma mulher madura, segura de mim mesma, olhando com serenidade para o transcorrer da vida. Mas há alguns, bem raros, é verdade, em que me sinto uma anciã. É quando sinto um vazio em mim, um não sei que, que me incomoda, um temor pelo porvir, enfim, pesam-me os anos vividos, angustiam-me os anos por vir.

Será que todos experimentam essa "angústia" de vez em quando, ou serei só eu, a precisar de atenção psicológica? Ainda bem que passa logo. Num instante, ocupo-me com meus escritos, ouço meus CDs, mergulho nos meus livros e pronto! Crise controlada, de volta á rotina. Ainda há pouco, quando tinha cem anos, senti que precisava falar com alguém, extravasar da alma o que me angustiava. Por isso estou aqui. E, á medida que ia escrevendo, minha alma ia regressando ao tempo presente, e eu voltava à minha realidade. Agora, de novo, tenho menos de setenta anos! É muito? Não! acredite, é bem menos que cem! risos...
Obrigada por me "ouvir", meu querido amigo, e perdoe as sandices desta sua velha amiga.
Beijos e um maravilhoso final de semana para você.


Dulce
São Paulo, 21 de outubro de 2005

MADRIGAL MELANCOLICO



Manuel Bandeira (1886-1968), poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Participante da Semana de Arte Moderna de 1922, foi um dos poetas nacionais mais admirados, inspirando, até hoje, novos escritores.
Para vocês, um pouco da poesia e da sensibilidade que ele nos legou
.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza , é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é teu espirito sutil ,
Tão ágil e luminoso,
Ave solta no céu matinal da montanha.

Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,

Graça que perturba e satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que perdi,
Não é a irmã que já perdi,
e meu pai.

O que adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!

O que adoro em ti, é a vida.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

UM AGRADECIMENTO AOS MEUS AMIGOS

(Clique sobre a foto, para ampliar a imagem)

Minha filha está de volta! Que bom. E voltou mais tranqüila, mais bonita, essa viagem fez bem a ela, fez bem as crianças, fez bem a mim, que nem viajei.
Foram dez dias comigo mesma, dez dias aonde procurei pôr meus pensamentos em ordem, descansar meu corpo, refazer meu espírito do enorme estresse a que fiquei submetida nestes últimos meses.
Precisava desse tempo só para mim, precisava ficar sozinha e, sem contarmos os dias gastos para sanar o problema do alagamento do basement que graças a habilidade do Mr. Fraser foi resolvido em menos de três dias, (incidentes acontecem) e a tarde agradabilíssima passada em companhia da Virginie, uma amiga francesa da Angélica que, dona de uma voz rara, amante incondicional da nossa bossa nova, querendo colocar em seu repertório algumas musicas do Jobim, pediu minha ajuda para tentar eliminar o sotaque (rs), tirando esses dias, o resto foi de absoluta calma.
Superei medos antigos quando tive que me comunicar com Mr Fraser ao telefone – e quem me conhece bem sabe que isso é uma barreira para mim (falar ao telefone em inglês), andei desenferrujando meu francês que andava lá no fundo do baú e constatei a delícia que é ter amigos que se preocupam conosco.

Preciso agradecer a esses amigos que me fizeram esquecer que ficara sozinha, numa terra estranha, sem dominar bem o idioma... Que fizeram com que eu me sentisse mais segura, com sua presença através de e-mails, telefonemas, mensagens. Alguns amigos numa vigilância discreta, outros numa vigilância mais escancarada... rs... Mas todos muito atentos, muito gentis. Minha nora, Maria Antonieta, em especial, lá de longe, prestando atenção aos meus escritos e inferindo como me sentia através deles; um amigo recente, com seus vários e-mails diários, perguntando se estava tudo bem, se eu precisava de alguma coisa, se não queria sair para tomarmos um café no Starbucks. Não, não queria. Preferia ficar em casa. Queria mesmo ficar sozinha. Meu amigo Ney, lá de Niterói, preocupado com a nevasca no Estado de Massachusetts, querendo saber se eu estava bem, Minha querida amiga Mara, telefonando, mandando e-mails, recadinhos pelo Orkut, sempre atenta, e minha filha, claro, tentando mostrar despreocupação mas mandando e-mails diários, lá da sala de computadores do navio – e quem a conhece sabe que ela não costuma fazer isso...
Enfim, estive sozinha mas nunca estive só e preciso agradecer a cada um de vocês pela companhia, pela preocupação, pela amizade, pelo carinho da atenção.
Obrigada... obrigada... obrigada... Vocês são fantásticos amigos.
Beijo para cada um de vocês, citados ou não neste recado de agradecimento.


Dulce

Winchester, 18 de dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

NO ANOITECER, LUZES SOBRE A NEVE

(Clique na foto para vê-la ampliada)

A neve cobriu a cidade e a paisagem ficou branca, linda...
Mas ao anoitecer, as luzes de Natal dão um colorido a paisagem que encanta pelo suave contraste. Imagens de Natal! Um Natal Branco.

E, para completar a beleza da paisagem, Elvis Presley e White Christmas...

(Clique no link abaixo para ouvir)


LET IT SNOW, LET IT SNOW, LET IT SNOW...




Fotos tiradas hoje cedo. Para ve-las em tamanho maior, clicar nas imagens

Para quem mora aqui no Hemisfério Norte, talvez uma manhã como a de hoje seja um transtorno, mas para mim, nascida, crescida, amadurecida num país tropical, de passagem por estas terras, acordar, abrir as cortinas do quarto e dar com paisagem toda branca, é um espetáculo inesquecível. É muito lindo!
Por isso nosso bate-papo de hoje gira todo em torno da neve. As fotos, a música linda que vive tocando em todas as lojas nesta época do ano, com a letra para quem quiser cantar junto.
Let it snow and enjoy...


Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

(Dean Martin - Christmas With Dino)


Let it Snow
Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

It doesn't show signs of stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!

When we finally kiss good night
How I'll hate going out in the storm!
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm

The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!


E no link abaixo, a voz de Dean Martin (linda)

http://www.youtube.com/watch?v=wJp8UvNGxI0

(Se o arquivo do youtube demorar para abrir, seja paciente (rs), pois vale a pena. É um clássico do Natal)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O VIOLAO E A ARTE DE TOQUINHO


Na postagem anterior falei de Toquinho, sua música, sua arte, seu incrível violão, então como poderia deixar de trazê-lo até aqui? Fui buscar no Youtube dois vídeos que bem poderão confirmar o que foi dito. No segundo, com a presença de um outro fantástico violonista, Yamandu Costa.

É só clicar e deixar-se levar pela música. Enjoy the music!...


http://www.youtube.com/watch?v=SqEDNtqJDB4

http://www.youtube.com/watch?v=tQOBLPoThpo&feature=related

MUSICA, INSTRUMENTO DE SONHOS


Madrugada fria neste já quase inverno, na semi-obscuridade do meu quarto iluminado apenas pela suave e pequena luz da vela elétrica que minha filha deixa ligada em cada uma das janelas da casa, a noite, nesta época do ano, olhos fechados, ouço a musica de Toquinho que ecoa docemente pelas paredes, pela noite, pela minha alma. Lindo demais... E fico aqui, totalmente envolvida pela suavidade do dedilhar das cordas do violão, a delicadeza das notas que se harmonizam perfeitamente, entrando pelos ouvidos, passando pelo coração e pousando suavemente na alma... a ternura colocada em cada nota, a alma posta na música, como só Toquinho consegue fazer... Abismo de rosas... amo essa música, de paixão...
Ouço, agora, Gente humilde... a música que me transporta à minha infância, ao velho bairro onde nasci, um lugar de pessoas, simples, cheias de alegria e amor, como só os simples podem ser... gente sincera, amiga... gente que colocava cadeiras nas calçadas, ao anoitecer, para dois dedos de prosa, para por em dia a troca de "você soube que...", gente que se juntava para ajudar quando qualquer deles precisasse, gente de verdade, todos pobres materialmente mas ricos, muitíssimo ricos em bondade, amizade, amor, espiritualidade... gente que "ia em frente, sem nem ter com quem contar"... gente que ficou lá para trás, mas que trago comigo no coração, gente humilde que eu amo...
Ah, o que a música pode fazer comigo!... Primeiro deixo que ela me envolva; sinto-a fluir por todos os poros, inundar a minha alma, deslizando por um Abismo de Rosas... Depois, viajo no tempo e no espaço, volto aos doces anos de minha meninice e revivo momentos que não retornarão mais...
Música, instrumento divino de sonho...

Dulce


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

UM PROVERBIO AFRICANO



"Si tu laisses toujours la porte de ta case fermée, le bon esprit ne pourra jamais y pénétrer..."
(Se você deixa a porta de sua casa sempre fechada, o bom espírito jamais poderá entrar nela...)

Passeando pelos blogs, como gosto de fazer para conhecer coisas novas, dei com um blog feito por alguém lá do interior da França e nele este provérbio africano que achei lindo e deixo aqui para vocês.
As casas, hoje, já não podem mais ter abertas suas portas, assim, escancaradas, como ficavam nos meus verdes anos, mas podemos transportar o provérbio para nossas almas, nossos corações. Porque é certo que, se você mantem seu coração fechado, estará negando a ele e a sua alma a oportunidade da vida plena.
Não tenha medo de amar! A dor do desamor é sempre maior que a do desencanto... Quem traz um amor no coração nunca estará em solidão, porque ele sempre vem acompanhado de sonho, poesia, esperança...

Dulce


domingo, 14 de dezembro de 2008

UMA CARTA PARA MINHA SAUDADE


Bom dia, Bira.

A data de hoje sempre foi especial em nossas vidas. E eu esperava podermos chegar juntos ao dia de hoje. Mas você partiu e fiquei aqui como que desamparada, vivendo a sua ausência, sentido a sua falta, lembrando os nossos momentos, sorrindo e chorando a cada lembrança, a cada dia,. E quando falo em nossos momentos, falo dos bons e dos ruins, dos nossos risos e das nossas lágrimas, dos nossos planos, das nossas frustrações, das nossas alegrias. Do nascimento de cada um de nossos filhos, da primeira palavra que eles pronunciaram, dos primeiros passos que deram, das preocupações, do orgulho de sermos pais deles, do acompanhar a luta de cada um para chegar aonde chegaram, do ver os netos nascerem, do primeiro sorriso que abriram para nós, dos bracinhos estendidos, de vê-los crescer.... E vê-los crescer você deixou pela metade, mas eu tenho contado pra você, em nossas prosas, você naquele retrato sobre a mesa de cabeceira, retrato em que o tempo congelou a juventude, e eu sentada ao lado, na beira da cama, antes de dormir... Tenho contado meus dias a você e sei bem que me escuta e que vela por mim, como sempre o fez...
Pois, é, Bira, lá se foram cinqüenta anos desde o dia em que, levada pelo seu braço forte cruzei a nave da igreja já como sua mulher, ao som da marcha nupcial, seguindo meus sonhos, a caminho de uma nova vida, uma vida só nossa, que pode não ter sido perfeita, mas foi preciosa. E hoje, neste aniversário mutilado, estou aqui para lhe dizer obrigada, meu amor, pela vida, pelos sonhos, pelos filhos e netos, por cada um dos momentos que vivemos juntos e, principalmente, por ter sempre cuidado de mim.
Se você ainda estivesse aqui, hoje seria dia de muita festa. Mas não estando, é dia de muita saudade. Mas uma saudade que vai ficando doce, feita só de bons momentos.
Abro um champagne imaginário, encho duas lindas taças de cristal e você e eu, sozinhos, como em nossa primeira noite, brindamos o amor que nos uniu e que nem a morte conseguiu apagar.
Um doce beijo e toda a minha saudade...
Com amor,

Dulce / 14 de dezembro de 2008

OS ESTATUTOS DO HOMEM

Os Estatutos do Homem - Ato Instituvional Permanente
(A Carlos Heitor Cony)


(Thiago de Mello, um dos poetas de meu coração, nasceu em 1926, na cidade de Barreirinha, no Amazonas. e é um dos poetas mais influentes e respeitados, de nossa literatura, um ícone da literatura regional, tendo suas obras traduzidas para mais de trinta idiomas.)


Art. 1: Fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida e que de mãos dadas trabalharemos todos pela vida verdadeira.

Art. 2: Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Art. 3: Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Art. 4: Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: o homem confiar no homem como um menino confia em outro menino.

Art. 5: Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silencio nem a armadura das palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Art. 6: Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Art. 7: Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Art. 8: Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar amor a quem se ama sabendo que é a água que dá a planta o milagre da flor.

Art. 9: Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal do seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o que da a planta o milagre da flor.

Art. 10: Fica permitido a qualquer pessoa, a qualquer hora da vida, o uso do traje branco.

Art. 11: Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama o belo e por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Art. 12: Decreta-se que nada será obrigado nem proibido. Tudo será permitido, sobretudo brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Art. 13: Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Art. 14: Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio e sua morada será sempre o coração do homem.

sábado, 13 de dezembro de 2008

CASIMIRO DE ABREU



José Marques Casimiro de Abreu, poeta da segunda geração romântica (1839-1860), tem em "Meus oito anos" sua obra mais conhecida, mas o lirismo destes versos merecem especial atenção.


Que é Simpatia

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,

Sincero, no coração;

São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos

Numa mágica atração

Simpatia – são dois galhos

Banhados de bons orvalhos

Nas mangueiras do jardim;

Bem longe às vezes nascidos,

Mas que se juntam crescidos

E que se abraçam por fim.


São duas almas bem gêmeas

Que riem no mesmo riso,

Que choram nos mesmos ais;

São vozes de dois amantes,

Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.


Simpatia – meu anjinho,
É o canto do passarinho,

É o doce aroma da flor;

São nuvens dum céu d’agosto

É o que me inspira teu rosto...
- Simpatia – é quase amor!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

BALADA PARA UMA SEXTA-FEIRA DE CHUVA


Já é sexta-feira! O tempo escorre por entre meus dedos como finos grãos de areia secos pelo sol inclemente de um meio-dia de verão... Ah, se eu pudesse reter o tempo, faze-lo caminhar um pouco mais lentamente para que eu pudesse demorar-me um pouco mais em meus caminhos e pudesse assim sorver tudo o que gira em torno de mim, gota a gota, num aprendizado enriquecedor para minha alma, sem deixar passar nada... A alegria de uma adolescente em seu primeiro amor, a pureza de uma criança transposta em seu riso, a esperança de um jovem no futuro, a força de um homem em seu trabalho, a delicadeza de uma mulher num momento de ternura, a doçura contida numa frase de amor, a ternura do olhar que uma mãe derrama sobre seu filho adormecido, a paz de um jardim ao luar, a força incontida do mar, a fúria de um vendaval, a beleza de um por de sol, a esperança do amanhecer, o abraço do amigo, a mão do homem amado, a vida... a vida...
Já é sexta-feira... O mundo segue seu curso, o tempo segue seu ritmo, eu sigo meus caminhos ainda plenos de sonhos, ainda com esperança no que possa vir, ainda senhora de mim e dos meus passos...
Feliz com a lucidez que minh'alma carrega, vou armazenando em mim momentos preciosos, emoções doces, ternuras, carinhos, serenidade, como uma bagagem para amenizar um inverno que talvez seja rigoroso e que está a espreita, numa curva qualquer dos meus caminhos. E que quando esse inverno chegar, quando eu chegar a ele, que minha alma esteja revestida de gratidão pela primavera da vida, alegre e despreocupada, pelo verão quente, gostoso, pleno de emoções, e pelo outono que tem sido doce, envolto em tantos sonhos, em tantos contidos sentimentos, em tanta serenidade preciosa nos momentos mais difíceis, na superação desses momentos, na paz relativa de meu coração.
Carrego comigo meu baú de memórias e meu baú de emoções e quando for inverno, sentada numa poltrona ao pé da lareira, tentando aquecer um frio que talvez venha da alma, vou poder abrir esses baús e, um a um, reviver meus sonhos, uma a uma, festejar minhas memórias ao revive-las ternamente. Haverá lágrimas, haverá sorrisos, haverá saudades, haverá amor... O mesmo amor que veio comigo do berço, que me acompanhou por todos os caminhos, sem esmorecer, sem perder a força. O amor que fechará meus olhos e que lançará minha alma para o infinito de uma nova vida...

Dulce / 12 de dezembro de 2008


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

FERNANDO PESSOA



Uns vivem sonhando em partir, outros partem como quem não vai a lugar algum, outroa ainda fazem da partida uma festa. Mas há os que ficam felizes por não terem que partir. Fernando Pessoa fez da véspera de não partir um lindo momento.


NA VÉSPERA de não partir nunca

Ao menos não há que arrumar malas

Nem que fazer planos em papel,

Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,

Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de se ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros

Por isso tudo, ter pensado o tudo

E o ter chegado deliberadamente a nada.

Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,

Como uma oportunidade virada do avesso.

Há quantas vezes vivo

A vida vegetativa do pensamento!

Todos os dias sine linea

Sossego, sim, sossego...

Grande tranqüilidade...

Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!

Que prazer olhar para as malas fitando como para nada!

Dormita, alma, dormita!

Aproveita, dormita!

É pouco o tempo que tens!
Dormita!

É a véspera de não partir nunca!